Caso seja instalada, a CPI deve funcionar paralelamente à comissão externa criada nesta quarta-feira, 23, para acompanhar as investigações sobre o Instituto Royal. Na tarde desta quarta-feira, um pequeno grupo de ativistas protestou no gramado do Congresso contra os maus-tratos em animais. Resolução apresentada pelo deputado Ricardo Izar (PSD-SP) pede que o requerimento da CPI seja votado com urgência. De acordo com Izar, o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), se comprometeu a levar o assunto a plenário.
Em troca da instalação da CPI, o deputado do PSD de São Paulo disse que abriu mão da relatoria da comissão externa, que agora ficou a cargo do deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP). O pedido de instalação da CPI é de julho e teve a assinatura de líderes dos partidos. Izar reclamou que só o PT não assinou o requerimento.
Deputados se reuniram na tarde desta quarta com o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, para discutir as denúncias contra o Instituto Royal. Segundo o deputado do PSD, Raupp foi receptivo em relação à proposta de abolir o teste em animais para o desenvolvimento de produtos cosméticos. "Esperamos que eles nos ajude a acabar com um negócio que é do passado. Ninguém usa mais animais para cosméticos", afirmou Izar.
O deputado destacou que os fabricantes brasileiros de cosméticos são prejudicados no exterior, principalmente na União Europeia (UE), porque usam animais como cobaias. Conforme Izar, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação lembrou que a atual legislação impede que a indústria dispense o uso de animais, uma vez que são proibidas a importação e a venda de produtos de origem humana no Brasil. "Nós nos propusemos em ajudar o ministro derrubando essa lei no Congresso e ele se comprometeu que, se nós fizermos a nossa parte, ele ajuda a acabar com os testes em animais para cosméticos", revelou.
Aos deputados, Raupp repetiu o discurso de que os ativistas que levaram os cães da entidade em São Paulo agiram "fora da lei". Já os parlamentares comunicaram a ele que o instituto não desenvolvia apenas produtos farmacêuticos, como afirmado ao ministério, mas fazia também pesquisas para artigos cosméticos. Na análise de Izar, o ministro da Ciência e Tecnologia desconhecia todos os trabalhos do Royal, o que levou a bancada a crer que a fiscalização do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) era deficiente.

