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Filha de Bendine ligou 12 vezes para negociar hospedagem paga por operadores de propina

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SÃO PAULO. A filha de Aldemir Bendine, Amanda Bendine, ligou 12 vezes para a agência de turismo Circus, de Recife, usada pelos operadores André Gustavo e Antonio Carlos Vieira para combinar detalhes da reserva de um hotel para a família a Nova York, onde passariam Natal e Ano Novo. O hotel escolhido foi o New York Palace, na Madison Avenue, e duas suítes foram reservadas. A despesa de USD 9,8 mil (diária de US$ 379 por apartamento, por 13 noites) foi paga em dinheiro por André Gustavo, que, segundo a força-tarefa da Lava-Jato, serviu como intermediário do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras nos contatos com a Odebrecht.

O empresário Marcelo Odebrecht disse ter sido achacado por André Gustavo, a mando de Bendine, ao negociar a rolagem de uma dívida com Banco do Brasil. Foram pedidos R$ 17 milhões, mas ele acabou pagando R$ 3 milhões depois que Bendine assumiu a presidência da Petrobras.

No depoimento à Polícia Federal, Bendine disse que pediu ajuda a André Gustavo para porque não estava conseguindo hotel em Nova York e que, devido à urgência, o pagamento teria sido feito pelo amigo. Disse ainfa que pagou ao retornar da viagem, mas que não se recordava de que forma. Segundo a defesa, Bendine reembolsou os gastos e a família está à procura de documentos que comprovem o fato.

Ao descrever a reserva do hotel, a força-tarefa afirma que causa "estranheza" que a família, que reside em São Paulo, tenha recorrido a uma agência de turismo em Recife, "uma vez que a capital paulista não sente pela falta de empresas desta natureza".

Para o juiz Sergio Moro, o pagamento de despesas para a família de Bendini pode ter sido a forma encontrada pelo operador para repassar parte da propina recebida da Odebrecht.

Além da despesa com o hotel em Nova York, foi localizada ainda uma anotação no celular de Antonio Carlos, datada de janeiro de 2016, logo após o retorno da família da família ao Brasil. “Reserva Amanda Bendine 2 bangalos 1 apto duplo. Fecha a nota e nós resolvemos.”

Depois da prisão de Marcelo Odebrecht, quando já estava na presidência da Petrobras, Bendine se reuniu com o empresário Emílio Odebrecht e com o novo presidente do grupo, Niltonde Souza, na sede do escritório de advocacia Mattos Filho, em São Paulo. O encontro não estava na agenda oficial de Bendine. Ao ser indagado pelos investigadores sobre fazer reuniões de interesse da Petrobras em ambiente privado, Bendine disse que considerava o escritório de advocacia um "espaço público", já que ele também presta serviços à estatal.

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