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Ferraço defende saída de Temer e novas eleições em até oito meses

SÃO PAULO - O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) defendeu, nesta segunda-feira, a posição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o futuro político do Brasil e disse que novas eleições deveriam ser convocadas em até oito meses. Em nota enviada ao GLOBO em 15 de junho, FH havia sugerido que Temer deveria ter . A posição do tucano foi reforçada em artigo publicado nesta segunda-feira pelo jornal “Folha de S.Paulo”, em que ele adiciona que, antes da escolha do novo presidente, o Congresso deveria fazer a reforma política.

Em evento promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para discutir a reforma política, Ferraço voltou a defender a saída do seu partido do governo Temer, afirmou que o PSDB deve reconhecer seus erros publicamente e afastar o senador Aécio Neves (PSDB-MG) da presidência do partido em virtude das denúncias da Lava-Jato.

— O governo não me parece ter condição de continuar liderando ou de ir aprofundando essas mudanças e transformações. Quem deveria discutir isso é o próprio PSDB. O PSDB deveria trazer esse tema para nós debatermos. Eu defendo que o PSDB saia do governo, defendo que o PSDB continue liderando mudanças e transformações e faz muito sentido isso que o Fernando Henrique propõe. É difícil imaginar como esse governo estará até o fim de 2018. A antecipação das eleições gerais, com regra, com previsibilidade, pode ser uma boa medida para mitigar o aprofundamento e deterioração da crise.

Apesar de concordar com a ideia de antecipar as eleições, Ferraço quis deixar claro que suas reivindicações não são as mesmas de outros políticos da oposição. Para o senador, seria importante um tempo hábil de planejamento antes de convocar o pleito.

— A pauta do PT é eleições diretas já, em 60 ou 90 dias. Não é isso que o Fernando Henrique está propondo. O que ele propõe é que o próprio presidente da República tome a iniciativa de encaminhar para o Congresso brasileiro, possivelmente uma proposta de emenda constitucional, propondo eleições para, quem sabe, daqui a oito meses.

A demora em uma decisão, na visão do tucano, aumenta a “deterioração do ambiente político”. Relator da reforma trabalhista em duas comissões no Senado, Ferraço afirma que uma troca no governo é necessária para que as mudanças sejam aprovadas.

— Depende de uma decisão do presidente. Quando ele envia ao congresso ele dá uma pacificada geral. Ele mostra desapego, produz um gesto de bastante grandeza. Porque quando a gente olha para o futuro próximo, eu não consigo ver uma luz no fim do túnel. Só consigo continuar vendo uma deterioração do ambiente político. Os fatos vão se sucedendo com muita intensidade e com muita velocidade. Então a antecipação das eleições para um prazo razoável significa a possibilidade se você eleger um novo governo, um governo legitimado pelo voto da população.

Defensor da reforma política, Ferraço é a favor do afastamento de Aécio Neves da presidência do partido. Em sua visão, o arquivamento das investigações sobre o senador na Comissão de Ética foi precipitado.

— Acho que o presidente do Conselho de Ética, o senador João Alberto, foi precipitado. Acho que ele deveria minimamente ter distribuído o processo para um relator. Esse relator por óbvio deveria ouvir o senador Aécio e seu advogado, porque todo processo pressupõe o devido processo legal de defesa. Mas ele não distribuiu, não designou um relator, arquivou de plano. Passou um sentimento de corporativismo barra impunidade. E isso não foi bom.

Ferraço também defendeu que o partido reconheça publicamente seus erros, afirmando que a sigla se afastou de seus princípios para se tornar uma commoditie.

— Eu defendo que a executiva do PSDB possa o mais urgente possível elevar o nosso senador Tasso Jereissati à condição de presidente definitivo do PSDB. Não tem sentido e razão ele continuar presidente interino. Uma vez definitivo ele continuará uma trajetória de reencontro do PSDB com seus valores, princípios e propósitos. Eu acho que nós erramos e precisamos ter a humildade de admitir os equívocos publicamente, fazer um mea culpa e de reconstruir a nossa história. Acho que nos afastamos dos nossos princípios e viramos, de certa forma, uma commoditie.

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