Duas semanas após o ataque na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, nenhum familiar do atirador compareceu ao Instituto Médico Legal (IML) para liberar o corpo. Como o prazo para a família fazer a liberação do corpo terminou ontem, o IML autorizou o sepultamento no Caju.
Wellington Menezes de Oliveira matou 12 crianças e feriu outras 12 durante o ataque na escola municipal no dia 7 de abril. Após ser atingido na perna pelo disparo de um policial, Wellington se matou.
Em uma carta divulgada pela Polícia Civil após o massacre, Wellington deixou instruções sobre quem poderia mexer em seu corpo e como ele deveria ser enterrado. O atirador pedia para ser sepultado no Cemitério do Murundu, no Rio, ao lado de sua mãe adotiva, morta há dois anos.
No último dia 12, o IML divulgou nota afirmando que o laudo cadavérico de Wellington concluiu que o atirador cometeu suicídio. Segundo a nota, os ferimentos penetrantes e transfixantes que levaram a morte de Wellington foram provocados por "ação perfuro contundente de projétil de arma de fogo (PAF) no crânio (têmpora direita) e abdômen com lesão de encéfalo, fígado e rim direito". De acordo com os legistas, um dos indícios de que houve suicídio foi o tiro encostado na têmpora, mas o confronto balístico ainda será finalizado.
A nota do IML informa ainda que a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, determinou que os laudos cadavéricos das crianças não será divulgado.
O ataque
Na quinta-feira (7), por volta de 8h30, Wellington Menezes de Oliveira entrou na escola Tasso da Silveira, em Realengo, dizendo que iria apresentar uma palestra. Já na sala de aula, o jovem de 23 anos sacou a arma e começou a ameaçar os estudantes.
Segundo testemunhas, o ex-aluno da escola queria matar apenas as virgens. Ele com teor religioso, onde orienta como quer ser enterrado e deixa sua casa para associação de proteção de animais.
O ataque, sem precedentes na história do Brasil, foi interrompido após um sargento da polícia, avisado por um estudante que conseguiu fugir da escola, balear Wellington na perna. De acordo com a polícia, o atirador se suicidou com um tiro na cabeça após ser atingido. Wellington portava duas armas e um cinturão com muita munição.
Doze estudantes morreram --dez meninas e dois meninos-- e outros 12 ficaram feridos no ataque.
Na sexta (8), 11 vitimas foram sepultados nos cemitérios da Saudade, Murundu e Santa Cruz. Já no sábado pela manhã, o corpo de Ana Carolina Pacheco da Silva, 13, o último a deixar o Instituto Médico Legal (IML), foi cremadlno crematório do Carmo, no centro do Rio.

