BRASÍLIA - O ex-senador cassado Luiz Estevão, transferido para uma cela de isolamento no Complexo Penitenciário da Papuda por falta disciplinar, compareceu a uma audiência na 10ª Vara Federal, em Brasília, nesta quarta-feira. De roupa branca, barba grande e mais magro, o empresário sorriu ao ser abordado pela imprensa. , após inspeção flagrar objetos proibidos em sua cela de origem, tais como cápsulas de café, cafeteira elétrica, chocolate importado e macarrão.
A presença de Estevão na Justiça Federal nesta quarta, porém, não tem relação com as regalias na Papuda. A inspeção que encontrou os objetos proibidos foi realizada na última quinta-feira, após a Justiça do Distrito Federal receber uma denúncia anônima de que servidores estariam facilitando a entrada de comida e outros itens para o preso milionário.
Na ocasião da inspeção, segundo decisão da juíza Leila Cury, que manteve o isolamento de 10 dias questionado pela defesa, Estevão respondeu “de forma desrespeitosa” ao ser questionado sobre os itens encontrados na cela, cometendo uma falta disciplinar. O protocolo do presídio prevê, nesses casos, a transferência do detento para o pavilhão disciplinar até que averiguações sejam feitas.
Estevão depõe hoje, em audiência na Justiça Federal, em ação sobre questões tributárias de empresas que eram dele na década de 1990, segundo a assessoria da Justiça Federal em Brasília. O empresário está preso desde março de 2016 na Papuda. Ele foi condenado em 2006 por desvio de recursos públicos destinados à construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.
Em setembro de 2014, o ex-senador foi detido, conduzido inicialmente para São Paulo, por falsificação de documentos. Um mês depois, teve atendido o pedido para ser alocado na Papuda, em Brasília, onde foi colocado na ala de vulneráveis. Saiu depois de progredir de regime, mas voltou, em março de 2016,
No ano passado, o Ministério Público do DF denunciou Estevão por supostamente ter financiado a reforma do prédio que abriga a chamada ala de vulneráveis. O local é destinado a ex-policiais, presos federais e outros detentos que correm risco se colocados em meio à massa carcerária. Detentos do mensalão passaram pelo local, Nas celas, há itens considerados um verdadeiro luxo dentro das cadeias, tais como sanitário e pia de louça, chuveiro e cerâmica no chão, segundo a denúncia.
Na denúncia, os promotores afirmam que o caso da reforma lembra “um marco histórico da criminalidade, quando Pablo Escobar construiu La Catedral, sua própria prisão na Colômbia”. Além do ex-senador, foram denunciados gestores do sistema prisional da época, que teriam agido em conluio com Estevão para viabilizar a reforma.



Aviso