BRASÍLIA - Depois de um encontro com o ex-ministro José Dirceu, o também ex-ministro Gilberto Carvalho disse nesta sexta-feira que militantes do PT vão evitar fazer manifestações em frente ao prédio onde o ex-chefe da Casa Cível deverá morar enquanto aguarda desdobramentos dos processos em que é acusado de desviar dinheiro da Petrobras. Ontem, militantes antipetistas cercaram o carro e tentaram atacar Dirceu, quando ele retornava a Brasília depois de passar um ano e nove meses em prisão preventiva em Curitiba.
— Não vamos responder ao ódio com ódio. Vamos estender a mão. Tudo que o Dirceu quer agora é ficar em paz com a família — disse Carvalho.
Ele afirma ainda que amigos de Dirceu vão suspender futuras visitas ao ex-ministro para evitar a aglomeração de jornalistas e manifestantes no local. Carvalho disse, no entanto, que é inaceitável que ocorra nova invasão do prédio, como aconteceu na chegada do ex-ministro.
Manifestantes só foram contidos quando estavam na porta do elevador da garagem do prédio.
— As pessoas que invadiram o prédio vão ser processadas — disse Carvalho.
O subsíndico Francisco Lucas reclamou da invasão do prédio e da desordem que teria se seguido aos protestos da noite de quinta-feira. Mas disse que não haverá mudança de regras.
— As regras do condomínio já existem e tem que ser respeitadas. Todos vão ser tratados com respeito. A única coisa que não podemos aceitar é invasão, falta de respeito — disse.
Momentos depois da saída de Carvalho, a professora Márcia Alves Ferreira apareceu na entrada do prédio perguntando onde haveria uma floricultura. Ele iria comprar flores para Dirceu.
— Será um ato de desagravo porque ele ajudou a nos tirar da ditadura — disse.
No momento, só fotógrafos e jornalistas estão no local. Mas manifestantes antipetistas disseram ontem que voltariam a fazer protestos contra Dirceu ainda hoje.
Antes de sair do local, Gilberto Carvalho foi interpelado por uma manifestante e houve um bate-boca.

