Início Brasil Ex-assessor afirma que Cabral é dono do iate Manhattan
Brasil

Ex-assessor afirma que Cabral é dono do iate Manhattan

Envie
Envie

RIO — O empresário Paulo Fernando Magalhães Pinto afirmou, em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, que vendeu metade do iate Manhattan, avaliado em R$ 5,3 milhões, ao ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). O pagamento foi feito em espécie, mas ele não revelou a quantia recebida. Magalhães Pinto, que foi assessor de Cabral no governo, confirmou ainda que atuou como “laranja” do peemedebista, mantendo a titularidade da embarcação no próprio nome, além de pagar o aluguel de uma sala comercial usada pelo ex-governador, no Leblon, e bancar o salário de três funcionários que trabalhavam para Cabral. Magalhães Pinto contou que, depois, as despesas eram reembolsadas, sempre em espécie — o total, segundo ele, chegou a cerca de R$ 1 milhão.

— Eu vendi metade desta embarcação (Manhattan) para ele (Cabral). Era e contina sendo (minha), formalmente — afirmou o empresário, confirmando que a transação foi feita de maneira informal.

Por causa do tamanho, o iate ficava ancorado na Marina Verolme, em Mangaratiba, e se deslocava para o condomínio Portobello, onde Cabral tem casa, quando o ex-governador acionava o marinheiro responsável por pilotar a embarcação.

Após deixar o governo, Cabral precisava de um local para montar a estrutura de sua empresa de consultoria. Recorreu ao amigo, que usou uma empresa para alugar o escritório e bancava todas as despesas do local, para depois ser ressarcido. O Ministério Público Federal (MPF) sustenta que o mecanismo era utilizado para lavar o dinheiro supostamente desviado pelo ex-governador dos cofres do estado.

— Gostaria de confirmar, dizer que são verdadeiras as denúncias. Aluguei a sala para o Sérgio Cabral, uma sala escolhida por ele. Contratei os funcionários que lhe serviam no escritório: Luciana, Leonardo e Luciane, acredito que são esses. Registrei na minha empresa (os funcionários). Foram contratados por mim e serviam ao ex-governador — disse Magalhães Pinto.

Luciana, a secretária de Cabral, foi registrada como funcionária da empresa do ex-governador apenas em agosto de 2016, quando as investigações da Operação Calicute já estavam em curso.

O empresário, que trabalhou como assessor de Cabral, disse que procurou ajudá-lo porque acreditava em seu “projeto político” e vislumbrava até que o ex-governador poderia chegar à Presidência.

— Era um projeto político ambicioso. Ele pediu e eu ajudei. Sempre fui idealista, fui voluntario de várias ONGs, tive uma ONG. Era um sonho trabahar com politica e com ele (Cabral) — justificou-se.

Ao ser questionado se a melhor maneira de ajudar seria participando de negócios ilegais, Magalhães Pinto afirmou que achava que “politica era assim” e que “não tinha muito jeito”.

Em outro depoimento a Bretas na manhã desta terça-feira, sobre o contrato da obra do PAC das Favelas em Manguinhos, na Zona Norte do Rio.

Siga-nos no

Google News