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Enquanto denúncia é lida na Câmara, Temer diz que prioriza área social

BRASÍLIA - Antes de ser notificado da denúncia criminal contra si por organização criminosa e obstrução de Justiça, o presidente Michel Temer disse que prioriza a área social e anunciou R$ 3 bilhões em microcrédito ao ano para beneficiários do Bolsa Família. Nesta terça-feira, Temer lançou o programa Progredir, que também prevê aos beneficiários 1 milhão de vagas do Pronatec e oficinas técnicas.

— O meu sonho é que daqui a dez, 15 anos, que seja... Não vou fixar prazo, mas que, em dado momento, venhamos comemorar a desnecessidade de qualquer benefício de natureza assistencial, porque todos estarão empregados no Brasil — afirmou o presidente, que disse querer adotar também como lema do governo o mote "Progredir", que dá nome ao programa lançado nesta terça-feira.

Ele ignorou, no discurso, a denúncia que está sendo lida na Câmara contra si e dois ministros palacianos: Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral).

Há menos de três meses, o peemedebista havia desistido de reajustar o Bolsa Família. O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) pleiteava um aumento de cerca de 1% acima da inflação, um número que era de cerca de 4,5%. A equipe econômica deu sinal negativo para o reajuste.

— Os estudos que foram feitos, pelos nossos economista e os de fora, mostram que só com transferência de renda não ocorreu a redução da desigualdade — declarou o ministro do MDS, Osmar Terra, que estima que o Progredir poderá emancipar até 1 milhão de famílias nos próximos dois anos.

O governo Temer tem pouco mais de um ano e dois meses até o fim do mandato.

— De 2000 para cá, até aumentou a desigualdade — emendou Terra.

— Quando a inflação cai de 11% para em torno de 2,5%, a renda real sobre, a pobreza diminui, a capacidade de consumir aumenta. Quando o consumo aumenta, a economia começa a crescer e os empregos vêm. Essa queda na inflação é o resultado de um governo empenhado nas políticas econômicas corretas — disse o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

Os R$ 3 bilhões para microcrédito não virão do orçamento do governo federal, mas dos depósitos compulsórios do Banco Central (BC). O BC recolhe, obrigatoriamente, recursos das instituições financeiras. No governo Dilma Rousseff, os depósitos compulsórios chegaram a ser usados para obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O Progredir levará aos beneficiários R$ 3 bilhões anuais em incentivos a microcrédito; assistência técnica e inclusão financeira para 1,7 milhão de autônomos; 1 milhão de vagas no Pronatec Oferta Voluntária; oficinas de preparo profissional para 400 mil pessoas; e oficinas de educação financeira para 100 mil famílias. Neste mês, o Bolsa Família tem 13,5 milhões de famílias, que recebem um valor médio do governo de R$ 179,64.

Durante a solenidade, após duas tentativas, o governo conseguiu com que começasse a leitura da denúncia contra Temer e os ministros Padilha e Moreira no plenário da Câmara. Em seguida, no começo da noite, o Planalto será notificado e a tramitação da denúncia criminal — por organização criminosa e obstrução de Justiça — poderá começar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

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