Câmeras instaladas no veículo do empresário Douglas Verza Alves registraram a ação da gangue dos quebra-vidro, na Avenida do Estado, em São Paulo. O crime ocorreu no último sábado, 3, na altura do número 5200. Alves, que é cadeirante, estava ao volante no momento da abordagem.
As imagens mostram o momento em que o suspeito se aproxima do veículo, quebra o vidro e pega o celular. Segundo o boletim de ocorrência, o carro possui três câmeras, duas externas e uma interna, que registraram o homem com nitidez. As gravações também permitem identificar o ponto de onde ele surgiu e a direção tomada durante a fuga.
O episódio ocorre em meio a uma mudança no modo de atuação desse tipo de quadrilha. Como mostrou o Estadão , criminosos que antes costumavam agir a pé ou de bicicleta também passaram a utilizar motocicletas em algumas abordagens. A estratégia permite que os assaltantes surpreendam as vítimas e deixem o local rapidamente.
No caso de Alves, o empresário considera a possibilidade de que a parada de uma motociclista tenha contribuído para criar uma distração e facilitar a ação. Não há, porém, confirmação de que uma segunda pessoa tenha participado do crime.
Segundo Alves, os veículos estavam a cerca de 100 metros de um semáforo quando a motocicleta parou e interrompeu o fluxo. O empresário estava atrás de um pequeno caminhão, que também parou. Alves saiu de trás do veículo e baixou o vidro para falar com o motorista sobre o que havia acontecido.
Enquanto Alves tentava entender a situação, o criminoso se aproximou do carro. "Quando eu ia responder que não entendi a ação, o camarada quebrou o meu vidro, entrou dentro do carro e pegou o celular", relatou.
Após o roubo, segundo o empresário, o sistema de localização do celular passou a indicar um prédio na região entre as ruas Guaianases e Aurora, no centro da cidade. Alves afirma ter comunicado a polícia sobre a localização, mas o aparelho não foi recuperado.
"É a pior sensação do mundo. Uma sensação de impotência, de vulnerabilidade... E depois vem a sensação do descaso", afirmou.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) informou que intensificou ações de inteligência, investigação e policiamento ostensivo para combater roubos e furtos de celulares na capital. A pasta citou a Operação SP Mobile, ações específicas contra a modalidade "quebra-vidro" e a Operação Frankmobile, realizada pelo Ministério Público em conjunto com as polícias Civil, Militar e Penal e a Receita Federal.
De acordo com a SSP, os roubos de celulares na capital caíram 15,2% entre janeiro e agosto deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Os roubos em geral recuaram 14,6%, enquanto os furtos tiveram queda de 4,3%.
Alves afirma ter encontrado nas redes sociais relatos de ocorrências semelhantes na Avenida do Estado e na Avenida 23 de Maio. As informações, segundo ele, aumentaram a preocupação com a frequência desse tipo de abordagem em vias movimentadas da capital. "São locais em que essa gangue está atacando direto. Isso é muito ruim", disse.
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