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Em relatório, presos de Goiás dizem que guerra de facções iniciou motim

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BRASÍLIA – Três detentos ouvidos na vistoria realizada no presídio de Aparecida de Goiânia afirmaram que a rebelião ocorrida na segunda-feira começou por uma disputa entre duas alas do estabelecimento, que seriam dominadas por facções. As informações estão no relatório produzido nesta quarta-feira pelo Tribunal de Justiça de Goiás e encaminhado para a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Cármen Lúcia.

Segundo os presos, integrantes da Ala A teriam atacado a Ala B. “Disseram que as duas alas disputam o comando da cadeia e que há duas facções por trás, mas não as nominaram. Pediram urgência na análise de suas situações. Ressaltaram que muitos fugiram de medo em razão dos tiros e ataques, mas que muitos querem cumprir pena. Insistiram no medo e contaram que sequer conseguem dormir, pois não fazem parte de disputas, mas temem ser atacados a qualquer momento”, diz o documento.

Os três detentos também afirmaram que “os agentes não conseguem dominar a cadeia, que é dominada por presos das Alas B e C. Eles afirmaram que há também “tensão por causa da superpopulação, do problema de falta de água constante e da falta de energia”. E reclamaram da demora na análise de processos e realização de audiência. Os três disseram que não têm advogados e que nunca tiveram acesso a defensoria pública.

Também foram ouvidos outros três presos, da Ala C. Eles apresentaram outra versão para o início do conflito: “tudo corria bem e que não havia nada de anormal quando perceberem que a Ala C estava sendo atacada por pedras que eram jogadas a partir da Ala B”. Em seguida, de acordo com os três, vieram os tiros e “os integrantes da Ala C foram atacados aleatoriamente”. Nos depoimentos, eles não admitem a existência de facções no presídio.

Os três da Ala C disseram que não sabem o motivo da rebelião, mas ressaltaram que todos estão descontentes com a superlotação, com a demora na análise de processos e com a recorrente falta de água e de energia.

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