BRASÍLIA – Em meio à crise instalada pela delação premiada de executivos da JBS, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizou na manhã desta quinta-feira uma sessão com cerca de quinze minutos de duração. A sessão já estava programada para acontecer, mas não foi julgado nenhum processo relevante. Nenhum ministro fez menção aos fatos revelados pelo GLOBO. O presidente, ministro Gilmar Mendes, está em viagem oficial à Rússia – o que, em tempos normais, já seria motivo para a atuação mais abreviada do tribunal.
O tribunal se prepara para julgar a partir do dia 6 a cassação da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer. A nova delação não deverá integrar o processo. Antes de divulgado o teor dos depoimentos dos donos da JBS, ministros do tribunal declaravam, em caráter reservado, que a tendência era manter Temer no cargo e declarar Dilma inelegível. Agora, mesmo sem as novas provas no processo, a opinião dos ministros pode mudar, diante do clamor popular provocado pela delação.
No TSE e no Supremo Tribunal Federal (STF), o clima é de apreensão entre os ministros. Ninguém ousa dar declarações sobre o fato de que Temer teria conhecimento da propina paga em troca do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O STF está no centro do furacão, já que a delação está nas mãos do relator da Lava-Jato, ministro Edson Fachin.
