BRASÍLIA — O governo e a Eletrobras se preparam para fechar a distribuidora de energia que opera no estado do Amazonas, caso não encontrem comprador para a companhia no leilão marcado para o próximo dia 25. O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira, disse nesta quinta-feira que esse a liquidação é o caminho natural em caso de fracasso na privatização.
Ao mesmo tempo, o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, afirmou já estar em busca de alternativas para a manutenção dos serviços para os consumidores.
— Estamos procurando tomar todas as medidas para tomar todos os serviços. Ao governo cabe essa responsabilidade, a preservação dos direitos dos amazonenses. Estamos junto com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) procurando desenhar alternativas para a manutenção do serviço — disse Moreira.
O governo decidiu manter o leilão, mesmo após o Senado rejeitar o projeto que viabilizava a venda das seis distribuidoras de energia controladas pela estatal. A Amazonas Energia é considerada a mais problemática e endividada das empresas. O projeto resolvia alguns passivos e incertezas da companhia, de maneira a torná-la atrativa para investidores.
Quatro das seis distribuidoras da Eletrobras já foram vendidas, mesmo sem o projeto. Em julho foi vendida a do Piauí, que assina nesta quinta-feira a transferência do controle para a Equatorial Energia. Em agosto foram vendidas as companhias do Acre, Rondônia e Roraima. A empresa de Alagoas está com a venda suspensa por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
— Estamos mantendo o leilão, porque já vendemos quatro empresas em o projeto de lei — disse o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira. — Existem condições para que a empresa seja vendida. Nós sempre apostamos nisso — acrescentou.
A Eletrobras decidiu em assembleia continuar com as empresas até 31 de dezembro deste ano. Depois dessa data, elas podem ser fechadas e o serviço de distribuição de energia entregue ao governo. Segundo Moreira Franco, essa decisão não será alterada.
— A decisão da Eletrobras é de não ficar mais com essas distribuidoras. Não é uma decisão de governo, é uma decisão empresa — afirmou o ministro.
Apesar da declaração, o presidente da Eletrobras admitiu continuar com a prestação do serviços no próximo ano, desde que o governo assuma todos os prejuízos e gastos extras. Nesse caso, seria necessário a aprovação do conselho diretor e dos acionistas da estatal.
— O que interessa à Eletrobras é que a prestação dos serviços seja neutra — afirmou.

