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‘Ele foi realmente um amigo’, diz FH sobre Jorge Bastos Moreno

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RIO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lamentou nesta quarta-feira a morte do colunista do GLOBO Jorge Bastos Moreno. Em entrevista à GloboNews, o ex-presidente lembrou de histórias que viveu ao lado do amigo e de quando usou a expressão “nhenhenhém”, que acabou virando o nome da coluna do jornalista.

- Ele usou isso para o título da coluna dele. É uma expressão tupi. Eu traduzi como se fosse conversa fiada - lembrou FH.

O ex-presidente e Moreno se conheceram ainda na década de 1970, quando FH ainda não tinha entrado para a política.

- Ele não era conhecido e nem eu. Eu era conhecido na área acadêmica e não na área política. Eu fui para a casa da minha irmã, cujo marido era professor da Universidade de Brasília, e o Moreno foi lá. Não sei o que que ele era no Correio Braziliense na época. E me fez uma entrevista. Mais tarde, ele se queixou porque fizeram uma coletânia de entrevistas minhas e não puseram essa entrevista dele, que era uma entrevista muito boa - contou o ex-presidente.

No início da década de 1980, quando FH virou senador, a relação dos dois se estreitou. Moreno era muito amigo da assessora de imprensa do ex-presidente, Ana Tavares.

- O Moreno sempre foi uma pessoa muito aguda, ele captava no ar as coisas. E tinha a capacidade de escrever bem, era um bom jornalista e irônico - afirmou o ex-presidente, que esteve com Moreno pela última vez há um ano.

Em seguida, o ex-presidente lembrou de mais uma história em que destacou a sagacidade de Moreno em busca da notícia. Foi no dia da morte de Tancredo Neves:

- O Moreno era um personagem fantástico porque ele sabia tudo. Vou dar um exemplo: quando morreu o Tancredo (Neves), estávamos jantando na Embaixada de Portugal, com o Ulysses Guimarães e outros. Nós fomos para o hospital. A certa altura, o general Leônidas Pires Gonçalves, que estava lá também, falou comigo, com o Ulysses, com outros que estavam ali, o (José) Fragelli, que ia ser presidente do Senado, que deveríamos procurar o Leitão de Abreu (que ocupou a Casa Civil nos governos Médici e Figueiredo) para saber o que fazer no dia seguinte. E fomos. Ninguém viu. Não ficamos no hospital de base. Quando estávamos chegando lá, quem estava nos esperando na estrada ainda, na entrada da granja onde estava o Leitão de Abreu? O Moreno. Não sei de que maneira ele percebia o que ia acontecer e acontecia.

FH lembrou dos problemas de saúde que Moreno tinha e lamentou porque o amigo “abusava” dos problemas que tinha no coração.

- Realmente é uma perda enorme porque ele sabia muito, sabia escrever, era conciso, não falava muito, só dava umas picadinhas necessárias, e tinha noção do conjunto. Ele sabia o que ia acontecer no Brasil. Ele conhecia todo mundo. Ele era querido. Quantas vezes eu fui jantar na casa dele em Brasília - relembrou FH, concluindo: - Ele foi realmente um amigo.

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