O fenômeno El Niño deve se intensificar nos próximos meses e atingir um patamar muito forte antes de alcançar seu pico no final de 2026. A projeção consta em uma nova atualização divulgada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU).
Os modelos climáticos analisados pela entidade apontam uma probabilidade de quase 100% de que o fenômeno permaneça ativo tanto no trimestre de setembro a novembro quanto no período entre dezembro e fevereiro de 2027. Com isso, as condições neutras tornam-se praticamente nulas, sem qualquer indício de retorno da La Niña a curto prazo.
O cenário é impulsionado por um forte aquecimento na superfície e nas camadas inferiores do Oceano Pacífico Equatorial. Na chamada região Niño 3.4, a temperatura da superfície do mar passou de 0,9°C acima da média em maio para 2°C em julho, alcançando picos semanais de até 2,6°C acima do normal entre o fim de julho e meados de agosto.
Além disso, medições submarinas indicam que bolsões de água abaixo da superfície registraram marcas superiores a 8°C acima da média no mesmo período. As projeções apontam que a anomalia média na região Niño 3.4 pode atingir cerca de 3,6°C entre setembro e novembro, com estimativas pontuais para novembro que chegam a 3,9°C acima da média.
A OMM alerta que o fenômeno influenciará diretamente os regimes de temperatura e precipitação durante a primavera e o verão no Hemisphério Sul. A previsão indica chances elevadas de calor acima do normal em quase todas as grandes massas continentais, com destaque para partes da África, Ásia, Austrália e América do Sul — especialmente na faixa compreendida entre a linha do Equador e os 30° de latitude sul.
No regime de chuvas, o padrão esperado para a América do Sul reflete características clássicas do El Niño:
Chuvas abaixo da média: Previstas para o noroeste e áreas do norte do continente.
Chuvas acima da média: Concentradas em uma faixa no sudeste sul-americano.
Especialistas ressaltam que a intensidade do El Niño, isoladamente, não define a magnitude de seus impactos locais. Fatores paralelos, como o desenvolvimento de uma fase positiva do Dipolo do Oceano Índico e a persistência de águas aquecidas no Atlântico Equatorial, podem modular os efeitos do fenômeno.




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