SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), voltou a dizer nesta segunda-feira que a antiga Cracolândia, localizada na rua Helvetia, centro da capital, acabou e que "não há a menor possibilidade de voltar o shopping de drogas" que existia ali.
Acompanhado de secretários, ele apresentou à imprensa um balanço do programa Redenção, uma parceria com o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), desde o dia 21 de maio, quando houve a primeira ação policial na região. Doria afirmou que o número de usuários foi reduzido a um terço e que as ações vão continuar.
— O consumo e o tráfico ainda existem. Mas o que há hoje é uma concentração de usuários e uma tentativa frustrada do PCC de ocupar a região. Estamos agora investigando com muito cuidado o uso de motocicletas usadas por traficantes e que levam o produto a esta área. Mas a Cracolândia que existia na rua Helvetia com a Alameda Dino Bueno não existe mais e nem existirá. Não há a menor hipótese — pontuou Doria.
Presente no evento, o secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Filipe Sabará, disse que as ações levaram a uma redução no fluxo em janeiro — de 1.800 a 600 pessoal. Questionado sobre os métodos utilizados para chegar a esses números, Sabará falou que era "algo visível", mas foi interrompido por Doria, que explicou haver monitoramento 24 horas com drones e câmeras.
— Vocês anotaram bem esses números, né? — perguntou o prefeito à imprensa.
O secretário de Segurança Pública do Estado, Mágino Alves, também apresentou números. Ele contabilizou 180 prisões por tráfico de drogas, além de 260 quilos de entorpecentes, 13 armas e R$ 100 mil apreendidos entre 21 de maio e 20 de junho. Ele disse que as ações das polícias Civil e Militar, em conjunto com a Guarda Civil Metropolitana, não têm prazo para acabar e que vão se estender a outras áreas da capital.
Questionado sobre as intervenções que terminaram em confronto com usuários e na prisão de uma orientadora socioeducativa na Praça Princesa Isabel, na última terça, o secretário disse que "quando comprovado desvio (policial) há correção". Mágino negou excessos de seus agentes. Na última semana, a profissional da prefeitura disse ter visto policiais abordarem duas dependentes, e acabou algemada e detida após intervenção.
— Nesse caso da assistente, ela disse que os policiais estavam revistando duas pessoas por tráfico de entorpecentes, mas elas mesmas falaram que não foram revistadas. Ou seja: aquela senhora estava obstruindo uma ação legítima da polícia — disse Mágino.
O secretário destacou a ausência de feridos nas operações policiais na cracolândia.
— Não houve um usuário ferido. Não houve reclamação em nenhuma das Corregedorias. As imagens mostram disparo de munição química, que não provoca lesão nas pessoas. Bomba de efeito moral não machuca, só se atirar próximo e na direção da pessoa.
Além de números, foram apresentadas ações como a abertura de 470 novos leitos de internação até julho para dependentes, uma rede de residências terapêuticas para tratamento e a ampliação de vagas para desintoxicação.
Ao final da apresentação, a prefeitura exibiu vídeo da campanha "Crack, a melhor saída é nunca entrar", veiculada desde domingo na TV, ao custo de R$ 4,9 milhões. Haverá outras até agosto, de acordo com o órgão.

