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Doleiro nº1 da Lava-Jato também é alvo da PF em nova operação sobre lavagem de dinheiro

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BRASÍLIA - O doleiro Carlos Habib Chater, primeiro preso na Operação Lava-Jato, foi conduzido coercitivamente nesta quarta-feira na Operação Perfídia, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de US$ 5 bilhões somente em uma offshore. O principal alvo da nova operação é uma prima do doleiro, a advogada Cláudia Chater, que foi presa temporariamente.

O pedido de condução coercitiva do doleiro foi feito pela Polícia Federal. Apesar de o Ministério Público Federal não ter dado anuência à medida, a condução foi deferida pelo juiz substituto da 10ª Vara Federal de Brasília, Ricardo Leite, e realizada na manhã desta quarta-feira. O doleiro teve ainda o celular apreendido, medida que foi aplicada a todos os que foram alvos da operação.

Chater já cumpriu pena pela Lava-Jato e estava em regime aberto desde o ano passado. O nome da operação mais famosa do Brasil decorre do fato de Chater ser dono de um posto de combustível no centro de Brasília, empresa que ele continua administrando até hoje. O posto, porém, não tem um lava-jato nas suas instalações.

A Operação Perfídia começou com a prisão de um jordaniano com passaporte falso em agosto do ano passado. A investigação identificou que a advogada Cláudia teria participado da emissão deste e de outros documentos e uma busca e apreensão em endereços dela em dezembro do ano passado mostrou que o esquema criminoso se estenderia a diversas outras áreas e teria realizado grandes operações de lavagem de dinheiro. A ação conta com cerca de 200 policiais federais, que cumprem 103 mandados judiciais, sendo 55 de busca e apreensão e 46 de condução coercitiva. Além de Cláudia, foi preso temporariamente Edvaldo Pinto, um funcionário dela.

A organização criminosa realizava operações de câmbio não-autorizadas e forjavam compras de imóveis por meio de laranjas e falsificações de documentos. Cartórios no interior do país seriam usados pelos infratores. Somente em uma das operações de compra e venda identificadas pela PF o negócio chegou a R$ 65 milhões.

Segundo a Polícia Federal, a quadrilha era formada por proprietários de postos de combustíveis, agências de turismo, lotéricas, que ficavam responsáveis pela aquisição fraudulenta de imóveis e bens para lavagem de dinheiro. A organização criminosa contava com o apoio de advogados, contadores, serventuários de cartórios, empregados de concessionárias de serviços públicos e até de um servidor da Polícia Federal. Há registros da atuação do esquema em cinco países.

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