O levantamento, realizado em outubro e novembro, indica ainda que 525 cidades foram consideradas em nível de alerta para a doença. Os números poderão mudar, pois há capitais que ainda não apresentaram os dados, como Belém, Maceió, Recife, Natal, São Paulo e Florianópolis. "O sistema pode estar mais sensível que no ano passado. Mas temos de nos preparar para o cenário pior do que em 2013", alertou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa.
Este ano foi um dos piores em número de casos de dengue. Entre janeiro e novembro, foi contabilizado um total de 1,476 milhão de casos da doença. Um número bem superior ao apresentado durante a epidemia de 2010 (955.087) e quase três vezes maior do que o registrado em 2012, quando foram confirmadas 545.163 infecções. O aumento de 2013 foi atribuído às eleições municipais de 2012, período de transição de administração, e, sobretudo, à maior circulação do tipo 4 do vírus da doença.
"Número de casos de dengue fala do passado. O LIRAa fala do futuro. Quanto mais ele for usado como instrumento de intervenção, maiores as chances do controle da dengue", disse Barbosa. As atividades de prevenção, afirmou, devem ser iniciadas o mais rapidamente possível pelas prefeituras. O ministério repassará R$ 363,4 milhões para intensificar essas atividades.
O Nordeste é a região que apresenta maior número de cidades em situação de risco para a dengue neste verão. Das 539 localidades analisadas, 125 têm um alto índice de infestação do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti . Outras 254 cidades foram consideradas em situação de alerta, incluindo Salvador, Fortaleza, São Luís e Aracaju.
Na Região Centro-Oeste, 11 cidades estão sob risco, incluindo Cuiabá. Goiânia e Campo Grande são consideradas em situação de alerta, além de outras 109 cidades da região. Na Região Norte, 17 cidades estão sob risco, entre elas Porto Velho e Rio Branco. Boa Vista, Manaus, Palmas e outras 55 cidades estão em situação de alerta.
No Sudeste, o único município considerado de risco é Governador Valadares (MG). Rio e Vitória estão em alerta, além de outras 84 cidades. De acordo com o secretário, embora os números não tenham sido consolidados, a capital paulista não está em situação de alerta. No Sul, duas cidades estão sob risco e 17 em alerta. Embora os números de casos da doença sejam muito expressivos, o ministério comemorou a redução das mortes provocadas pela infecção. Se o ritmo de 2010 tivesse sido mantido, o número provável para este ano seria de 987 óbitos. Foram registrados 414 a menos do que o esperado: 573.

