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Diretor da PF diz que inquéritos da Lava-Jato vão ser concluídos antes das eleições

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BRASÍLIA - Depois de uma semana marcada por duas operações e encontros com os presidentes do Supremo Tribunal Federal e Tribunal Superior Eleitoral, o diretor da Polícia Federal, Fernando Segovia, decidiu mudar literalmente de área. O diretor comandou, no último sábado, o ataque do "Herta Berlim" contra o "Borussia Dortumund", times formados por delegados da Polícia Federal e da Polícia Civil. O Herta Berlin de Segovia perdeu de um a zero mas, mesmo assim, o diretor foi escolhido o melhor jogador em campo pelos organizadores do campeonato.

- O time jogou bem. O adversário só ganhou porque fez um gol de pênalti no último minuto do segundo tempo - disse o diretor ao GLOBO depois da partida.

Segovia foi nomeado diretor da Polícia Federal na quarta-feira passada para substituir o agora ex-diretor Leandro Daiello, que estava há mais de seis anos no cargo. A indicação do novo diretor foi marcada por críticas de adversários que acusavam o governo de mudar o governo da Polícia Federal para esvaziar a Lava-Jato e outras investigações sobre casos de corrupção relacionados a políticos. Numa entrevista na terça-feira, Segovia disse que as acusações não fazem o menor sentido. O diretor até anunciou que, como uma das primeiras medidas, vai acelerar os inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal derivados da Lava-Jato.

A ideia do diretor é ampliar a equipe de delegados responsáveis pelos inquéritos contra deputados, senadores e ministros acusados de desvios de dinheiro público. Hoje o grupo de trabalho teria 15 delegados para conduzir aproximadamente 153 inquéritos abertos, boa parte deles a partir das delações de executivos da Odebrecht, maior empreiteira do país. Os inquéritos foram abertos a pedido do ex-procurador-geral Rodrigo Janot e ainda podem complicar a situação de influentes políticos antes das eleições de 2018.

Segovia disse que decidiu acelerar as investigações porque, segundo ele, alguns ministros do STF já estariam reclamando da lentidão de algumas investigações. Alguns políticos, que alegam inocência, também tem pedido a rápida conclusão dos casos porque querem chegar às urnas do ano que vem sem serem obrigados a explicar porque respondem a inquéritos sobre corrupção. O diretor disse considerar importante dar uma resposta à sociedade sobre as rumorosas acusações até o fim do primeiro semestre de 2018.

- Queremos concluir as investigações antes do início do processo eleitoral. Vamos botar o número de policiais que for necessário para passar isso a limpo neste prazo - disse Segovia.

Segovia joga no time da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal há 20 anos. O campeonato deste ano, promovido pela Associação dos Delegados da Polícia Civil, começou em agosto e termina em dezembro. Segundo aliados, o futebol, que até agora era uma atividade meramente recreativa, vai facilitar a aproximação entre o diretor-geral da PF e os grupos de delegados que, logo depois da indicação, se mostraram refratários ao nome do novo diretor. Para Segovia, essa é uma boa maneira de se "construir pontes".

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