BRASÍLIA — Após a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), votar contra a concessão de habeas corpus preventivo para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado Wadih Damous (PT-RJ) criticou a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia, chamando-a de irresponsável. Wadih reclamou do fato de que Cármen poderia ter pautado o julgamento das duas ações declaratórias de constitucionalidade (ADCs) que tratam do início da execução da pena de forma genérica, sem abordar um caso específico. Ela preferiu, no entanto, pautar o habeas corpus de Lula. Isso foi importante para definir o voto de Rosa Weber.
Embora tenha votado em outras ocasiões contra prisão após condenação em segunda instância, caso de Lula, Rosa disse que respeita o entendimento vigente firmado pelo STF. Para ela, uma mudança na regra, que hoje autoriza a execução em segunda instância, seria possível apenas no julgamento das ADCs, mas não do habeas corpus.
— É um absurdo o que está acontecendo aqui. A maior responsabilidade disso é da presidente do tribunal, ministra Cármen Lúcia, que se negou a pautar a ADC — afirmou Damous.
Questionado sobre o que achou da postura dela, disse:
— Irresponsável. Ela está vendo o que está acontecendo no país. Irresponsável perante a corte. irresponsável
No plenário do STF, após o voto de Rosa Weber, os advogados de Lula discutiam entre eles o que fazer, mas não revelaram à imprensa uma possível estratégia diante da esperada derrota. Entre os aliados do ex-presidente, a reação ia do abatimento à revolta de Damous contra Cármen Lúcia

