BRASÍLIA - O depoimento de Rocha Loures (PMDB-PR), ex assessor do presidente Michel Temer, foi adiado pela segunda vez. Loures, que deveria depor nesta quarta-feira, será interrogado na sexta-feira. A Polícia Federal confirmou, no entanto, que o ex-assessor será transferido ainda hoje para a Papuda.
Loures é acusado de receber R$ 500 mim em propina da JBS em nome de Temer. O suposto suborno seria a primeira parcela de uma propina de R$ 480 milhões a ser paga ao longo de 20 anos, conforme o sucesso das transações da empresa. Temer e Loures são investigados por corrupção, obstrução de justiça e organização criminosa em inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal a pedido do procurador-geral Rodrigo Janot. Para o procurador-geral, Loures era o longa manus, um faz-tudo do presidente.
As investigações sobre Temer e Loures começaram a partir da delação premiada do executivos da JBS, entre eles Joesley Batista, um dos donos da empresa. Numa conversa gravada com Temer no porão do Palácio do Jaburu na noite de 7 de março deste ano, Batista disse que, com o ex-ministro Geddel Vieira Lima investigado e fora de circulação, precisaria de um outro interlocutor que falasse em nome do presidente. O empresário fez a pergunta depois de discorrer sobre vários crimes e interesses da JBS em cargos e decisões estratégicas governo. Temer indicou Loures.
