
SÃO PAULO — Os delatores Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa e Fernando "Baiano" Soares voltarão a ser ouvidos na tarde desta quarta-feira pelo juiz Sergio Moro. Os três serão testemunhas do Ministério Público Federal (MPF) no processo que é movido contra dois executivos ligados à empreiteira Queiroz Galvão: Ildefonso Colares Filho e Erton Medeiros. Os dois são acusados de oferecer R$ 10 milhões em propina ao então senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), morto em 2010, e ao deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) para que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, instalada em 2009, não seguisse.
O juiz Sergio Moro demorou quase um ano para marcar as audiências do processo após receber a denúncia em outubro do ano passado. No despacho em que define a data do depoimento de hoje, o juiz deu sua explicação: "Demorei a despachar, pois estava ocupado com processos de acusados presos", disse Moro.
Os executivos foram investigados no âmbito da 33ª fase da Lava-Jato, a “Resta Um”. A CPI buscava apurar irregularidades envolvendo a Petrobras e a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A Polícia Federal (PF) ainda teve acesso a um vídeo de uma reunião entre Guerra, o então diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e empreiteiros na qual foi negociado o recebimento de R$ 10 milhões de propina. Na ocasião, Guerra afirmou que tinha "horror a CPI".
O então senador se comprometeu a aliviar as acusações na CPI e que ele e outros parlamentares do PSDB não aprofundassem as investigações.
— Nossa gente vai fazer uma discussão genérica, não vamos polemizar as coisas — disse Guerra.

