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Delator da Operação Carne Fraca acusa ex-ministro Osmar Serraglio de receber propina

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BRASÍLIA — O ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura no Paraná Daniel Gonçalves Filho, delator da , afirmou que o deputado federal (PMDB-PR), ex-ministro da Justiça de Michel Temer, recebeu diversos pagamentos de propina em espécie. A maioria deles, segundo os depoimentos, girava em torno de R$ 10 mil. A delação premiada foi homologada no fim de dezembro pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.

A operação investiga envolvimento de fiscais e de políticos em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular envolvendo frigoríficos. O ex-fiscal é apontado como líder do esquema descoberto pelos investigadores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal(MPF).

Gonçalves também relatou que Serraglio foi um dos articuladores de sua nomeação para o cargo do ministério da Agricultura no estado. Um dos grampos telefônicos de Carne Fraca gravou uma conversa em que o deputado federal se refere a Daniel Gonçalves como "o grande chefe". Outro foco da delação é o também deputado federal Sergio de Souza (PMDB-PR), que também teria se beneficiado de propina do esquema.

Gonçalves também entregou outros políticos do PMDB do Paraná e detalhou como o sistema de compra de liberação de licenças por frigoríficos abastecia o caixa ilícito do partido.

O acordo de Daniel Gonçalves foi feito com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e com o Ministério Público Federal no Paraná e estava há cerca três meses com o ministro Dias Toffoli aguardando homologação. Os relatos envolvendo nomes com foro privilegiado, como Serraglio, permanecerão no Supremo e aqueles que não se referem a pessoas com foro descerão para a primeira instância em Curitiba, que tem como responsável o juiz Marcos Josegrei.

O delator está preso na carceragem da PF na capital paranaense desde março de 2017, quando a operação foi deflagrada.

O ex-ministro da Justiça negou, ao GLOBO, que tenha recebido propina e que tenha sido um dos responsáveis pela indicação do ex-superintende Daniel Gonçalves.

— Assim é fácil, né? O fiscal toma dinheiro das empresa, fica com ele e coloca a culpa nos outros — rebateu.

Serraglio afirmou que Gonçalves foi uma indicação da bancada do PMDB do Paraná e que seu principal fiador foi o então deputado federal Moacir Micheletto, morto em 2012. Segundo o ex-ministro, era ele o responsável por decisões do partido ligadas à pasta da Agricultura.

Sobre o recebimento de dinheiro em espécie, Serraglio disse que o ex-superintendente precisa dizer "onde fez o pagamento" e "se alguma vez esteve em minha casa ou no meu escritório".

O GLOBO não conseguiu entrar em contato com a defesa de Sergio de Souza.

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