SÃO PAULO - A defesa do ex-ministro Antonio Palocci desistiu do reinterrogatório do empresário Marcelo Odebrecht e de outros cinco executivos ligados ao esquema de pagamento de propinas da Odebrecht - Hilberto Silva, Rogério Araújo, Luiz Eduardo Soares, Olívio Rodrigues Júnior e Marcelo Rodrigues. A petição, encaminhada ao juiz Sérgio Moro, informa que as razões da desistência serão detalhadas nas alegações finais da defesa, último passo antes do julgamento da ação.
Dos pedidos feitos por Palocci, foi mantido apenas o novo interrogatório de Fernando Migliaccio - o único dos executivos ligados à Odebrecht que não fechou o acordo no conjunto de delações negociadas paralelamente à leniência da empresa. A audiência ocorrerá na próxima sexta-feira, dia 5, quando também será ouvido o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, que pediu para falar. Duque negocia acordo de delação e sua estratégia segue à do empresário Léo Pinheiro, que decidiu falar o que sabe mesmo antes de ter sua colaboração formalmente aceita e homologada pela Justiça.
Moro havia marcado as audiências para o próximo dia 5. Os interrogatórios anteriores seguiam válidos, com eventuais perguntas adicionais em função da quebra do sigilo dos depoimentos de delação pelo Supremo Tribunal Federal.
A defesa de Palocci havia pedido também que fossem interrogados novamente o publicitário João Santana e a mulher dele, Mônica Moura, que também fizeram acordo de delação premiada. Moro negou porque o STF não levantou o sigilo.
Nesta ação, o ex-ministro foi denunciado como responsável pelo pagamento feito pela Odebrecht ao casal de publicitários no exterior. Ao ser ouvido por Moro, Palocci negou ter orientado pagamento no exterior. Segundo o empresário Marcelo Odebrecht, delator da Lava-Jato, Palocci era o responsável pela gestão dos recursos destinados ao PT na "Conta Especial Italiano".

