SÃO PAULO. O procurador Deltan Dallagnol afirmou que a terceira acusação contra o ex-ministro José Dirceu estava sendo amadurecida e foi precipitada pela força-tarefa da Lava-Jato para que novas informações, pertinentes e relevantes, possam ser consideradas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os ministros do STF decidem hoje sobre um habeas corpus impetrado pela defesa de Dirceu, que pede a liberdade do ex-ministro. Na semana passada, o STF libertou o pecuarista José Carlos Bumlai e o ex-tesoureiro do PP João Cláudio Genu, ambos já condenados na Lava-Jato.
Dallagnol afirmou que a força-tarefa não apresentou novo pedido de prisão preventiva para Dirceu, para não dar margem à interpretação equivocada de que estariam querendo "passar por cima" de uma decisão do STF.
- Existem razões de sobra para manter a prisão. A prisão é extremamente necessária - afirmou Dallagnol, afirmando que tem convicção de que o STF manterá José Dirceu preso.
Segundo a força-tarefa, Dirceu contratou em 2009 a empresa Entrelinhas Comunicação, mas não conseguiu arcar com as despesas. A pedido do irmão dele, a Engevix quitou a dívida e pagou pela continuidade do serviço até 2013. Entre os serviços prestados estava a organização de um livro assinado pelo ex-ministro, o “Tempos de Planície”. O valor teria alcançado R$ 900 mil.
A UTC, por sua vez, firmou entre fevereiro de 2013 e outubro de 2014, aditivos contratuais fictícios com a JD Assessoria, a consultoria de José Dirceu, para lhe repassar mais de R$ 1,5 milhão em propinas. As negociações entre Dirceu e a UTC teriam ocorrido no fim de 2012, próximo ao término do julgamento do mensalão. Mesmo com a decretação de prisão de Dirceu, em novembro de 2013, houve em fevereiro de 2014 um aditico contratual, mesmo com o ex-ministro já preso, o que o impossibilitava de prestar qualquer tipo de serviço.
O procurador Roberson Pozzobon, disse, em nota, que "a impunidade no país é tamanha que, no mensalão, o ex-ministro-chefe da Casa Civil acreditava que sua responsabilização criminal por corrupção seria como um raio que não poderia cair duas vezes em seu quintal. Somente assim se explica a atitude de José Dirceu, que, mesmo após ter perdido seu cargo, mesmo durante e após o seu julgamento pelo Supremo, mesmo após o cumprimento de sua prisão por determinação da mais alta corte do País e a deflagração da operação Lava Jato, persistiu recebendo propinas milionárias. O tempo dos crimes objeto da presente denúncia atesta o total menosprezo de José Dirceu à autoridade da Justiça brasileira."

