A cracolândia, com suas rotinas e sociabilidade únicas, onde diferentes tipos humanos se relacionam e circulam alucinados para cima e para baixo, voltou a funcionar a todo vapor em São Paulo. Ferve de segunda a segunda, durante o dia e a madrugada. Em horário comercial, em um dos equipamentos da Prefeitura, na Rua Helvétia, que ainda não foi oficialmente inaugurado, passam cerca de 500 pessoas diariamente, o que indica que o número de frequentadores voltou a ser o mesmo dos tempos áureos.
"Não se pode mais dizer quanto tempo vai levar para transformar a realidade deste espaço. Não é possível prever o fim da cracolândia. O problema é mais complexo do que imaginávamos", afirma o psiquiatra Ronaldo Laranjeiras, coordenador do Programa Recomeço, uma das apostas do governo estadual para lidar com o problema.
Em janeiro do ano passado, na ação mais espetacular feita pelo Estado na região, as Polícias Militar e Civil ocuparam a cracolândia, no centro de São Paulo, na operação apelidada de Dor e Sofrimento. O conjunto de medidas, que levou o governo a anunciar que a cracolândia estava com os dias contados, buscava impedir o fornecimento de drogas e induzir consumidores ao tratamento.
Chegou-se a anunciar a prisão e internação de mais de 2 mil pessoas. Um ano e nove meses depois, a região mostrou sua capacidade de resistência, voltando ao estágio anterior à ocupação. Cresceu a quantidade de barracas nas ruas, onde os usuários de crack consumem a droga e vivem provisoriamente. Também há sofás velhos para o consumo da droga e bate-papo. A Helvétia chega a parecer uma pequena favela com habitações nas calçadas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



