BRASÍLIA — No mesmo dia em que o ex-presidente do Tribunal de Contas do Rio () Jonas Lopes foi alvo da Lava-Jato, o então presidente do órgão, , recebeu R$ 80 mil em espécie. O diálogo que mostra a entrega do dinheiro foi gravado em 13 de dezembro de 2016 pelo empresário Marcos Andrade Barbosa Silva, que atua no setor de transportes e tornou-se delator.
Na gravação, o empresário faz a contagem das cédulas na frente de Neves. Ao receber o dinheiro, o conselheiro disse que não achou ruim que a entrega aconteceu no mesmo dia de uma operação da Polícia Federal já que "o que tinha que acontecer [naquele dia] já aconteceu". Barbosa Silva afirmou não levava mais o dinheiro na mochila e detalhou outra dinâmica na entrega devido a realização de diversas operações policiais no Rio.
Marcos: Aqui tem... siii... é sessenta, tem mais dez aqui e dez aqui, oitenta.
Aloysio: Tá.
Marcos: Então dos cento e cinquenta que eu tinha combinado, eu trouxe oitenta outra rua e eu vim andando e trouxe esses oitenta. Aí na próxima eu mato com mais hoje. Vamos marcar a próxima data, que agora todo cuidado é pouco. Nem mais com o smart eu vim, que eu parei... pedi pro motorista... me deixar lá na outra rua e vim andando e trouxe esses oitenta. Aí na próxima eu mato com mais setenta.
Aloysio: E que... é que vai (nos salvar, mas não sei)
Marco: Porque...Porque só vim hoje realmente porque eu sabia que você estava precisando muito
Aloysio: (inteligível)
Marcos: E que...
Aloysio: (eu até num)... não te chamei nada, (falei: 'deixa) ele ver como é que ele vai'... Eu até não achei ruim, eu vou dizer o porquê... porque o que tinha que acontecer hoje já aconteceu (inteligível).
Na mesma gravação de dezembro de 2016, Neves confirmou ao empresário e delator Marcos Andrade Barbosa Silva que recebia propina, entre elas uma mesada de R$ 100 mil do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB).



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