BRASÍLIA - Após um ano de julgamento, a Comissão de Ética da Presidência absolveu o ex-ministro da Educação Aloizio Mercadante por ter supostamente tentado impedir a delação do ex-senador Delcídio Amaral. A decisão, do último dia 22, foi unânime.
"As transcrições das conversas que constam do presente processo indicam apenas o oferecimento de auxílio a um colega de partido – gestões políticas junto ao Senado e, após o relato do assessor acerca de dificuldades financeiras sofridas pelo ex-Senador, promessa de que “iria ver” no que poderia ajudar, “na coisa de advogado” – sem que fique caracterizada conduta ilícita", escreveu Américo Lacombe, relator do processo no colegiado. A comissão chegou a pedir ao Ministério Público mais informações durante o julgamento.
O petista foi citado na colaboração premiada de Delcídio — que era líder do governo Dilma Rousseff preso pela Lava-Jato no fim de 2015 — e acusado de tentar barrá-la. Isso seria feito por meio de ajuda financeira e pedidos junto a Renan Calheiros (PMDB-AL) e Ricardo Lewandowski, que presidiam o Senado e o Supremo Tribunal Federal à época, respectivamente.
Eduardo Marzagão, assessor de Delcídio, gravou conversas com Mercadante em dezembro de 2015, depois que o senador havia sido preso. Os diálogos vieram a público em 15 de março do ano passado. A ex-presidente Dilma Rousseff dissera que a ação de Mercadante, então ministro da Educação, era "pessoal".
À comissão, Aloizio Mercadante negou que tinha receio da delação de Delcídio, "já que jamais havia participado de quaisquer atos de ilegalidade". "Tive grande convívio com Delcídio do Amaral, desde que este ingressou no Partido dos Trabalhadores em 2001, e que apesar de terem ocorrido algumas divergências de entendimento entre nós, ambos atuávamos no mesmo campo político", escreveu o ex-ministro.
Além disso, ele declarou que o Senado "deveria postar-se de modo diferente diante da prisão de um de seus membros — por isso sugeri que o assessor do Senado buscasse desenvolver a tese da reconsideração".

