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CGU aponta suposta fraude no pagamento de benefícios durante eleições 2022

CGU aponta suposta fraude no pagamento de benefícios durante eleições 2022
CGU aponta suposta fraude no pagamento de benefícios durante eleições 2022

A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou inconformidades e suspeitas de irregularidades nos auxílios emergenciais concedidos pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro no ano passado. Um relatório divulgado hoje (22) pela CGU aponta que as irregularidades ocorreram principalmente durante o período eleitoral, entre agosto e outubro de 2022, nos pagamentos dos auxílios Brasil, Caminhoneiro e Taxista. No caso do Auxílio Taxista, o documento afirma que quase 80% dos beneficiários não tinham direito ao auxílio, resultando em pagamentos indevidos de R$ 1,4 bilhão.

Segundo a Agência Brasil, o Auxílio Taxista, que foi pago de julho a dezembro de 2022, beneficiou 314.025 pessoas com parcelas de R$ 1 mil cada. O relatório da CGU apontou que 246 mil beneficiários, ou seja, 78% deles, não se enquadravam nos critérios estabelecidos pelo programa. Isso incluiu pessoas que nem carteira de habilitação tinham.

No caso do Auxílio Caminhoneiro, também no valor de R$ 1 mil por parcela, a CGU identificou 110 mil beneficiários fora do perfil adequado, resultando em pagamentos indevidos de R$ 582 milhões. O relatório sugere que esses auxílios foram direcionados para o período eleitoral.

Além disso, a CGU identificou problemas na concessão de crédito consignado para beneficiários do Auxílio Brasil. A grande maioria dos contratos, 93%, foi firmada no mês de outubro de 2022, durante o período eleitoral. Três milhões de beneficiários contrataram empréstimos consignados, representando 14,1% dos beneficiários do programa. O valor médio dos contratos foi de R$ 2.567, com a maioria dos pagamentos divididos em 24 parcelas.

Os beneficiários do Auxílio Brasil também pagaram juros consideravelmente mais altos em comparação com outros grupos, como trabalhadores do serviço público, iniciativa privada e beneficiários do INSS. Os beneficiários do auxílio pagaram juros mensais de 3,5% e juros anuais de 51,11%, enquanto os beneficiários do INSS tiveram juros de 1,98% ao mês e 26,53% ao ano.

O relatório também destaca que 46 mil famílias sofreram descontos indevidos em seus benefícios, alegando que teriam feito empréstimos consignados. Dessas famílias, cinco mil tiveram descontos que excederam o limite de 40% do benefício.

Essas descobertas da CGU levantam preocupações sobre a administração dos programas de auxílio emergencial durante o período eleitoral e a necessidade de medidas para evitar abusos e irregularidades. 

 

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