A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira, 25 de março de 2026, a Operação Fallax, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias bilionárias e lavagem de dinheiro. Entre os principais alvos da ofensiva estão o CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Góis, e o ex-sócio da holding, Luiz Rubini.
Segundo balanço parcial divulgado pelas autoridades, ao menos 13 pessoas já foram presas até o momento no âmbito da ação, que prevê o cumprimento de um total de 21 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
A investigação aponta que o grupo teria desviado mais de R$ 500 milhões, utilizando-se principalmente de fraudes contra a Caixa Econômica Federal e outras instituições como Banco do Brasil, Bradesco e Santander.
A operação ocorre em um momento crítico para o Grupo Fictor, que teve sua imagem severamente abalada após anunciar, no final de 2025, uma proposta de compra do Banco Master, pertencente a Daniel Vorcaro, poucas horas antes de a instituição sofrer liquidação extrajudicial pelo Banco Central.
Na ocasião, autoridades classificaram a negociação como uma "cortina de fumaça" para ocultar a insolvência de ambas as partes. O efeito dominó resultou em uma corrida de resgates por parte de investidores da Fictor, forçando o grupo a entrar com um pedido de recuperação judicial em fevereiro de 2026, declarando dívidas superiores a R$ 4 bilhões.
Segundo a Polícia Federal, o esquema envolvia a criação em larga escala de empresas de fachada com capital social simulado e sócios "laranjas" para a obtenção de crédito fraudulento. Além disso, a investigação identificou a cooptação de gerentes bancários e o uso de documentação contábil falsificada para inflar o faturamento das empresas do grupo. Há indícios de que o mesmo mecanismo de lavagem de dinheiro era compartilhado com facções criminosas.
A Justiça Federal de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 47 milhões em bens e ativos financeiros dos envolvidos, além da quebra de sigilo bancário e fiscal de centenas de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao conglomerado. Os investigados podem responder por crimes de gestão fraudulenta, organização criminosa, lavagem de capitais e estelionato qualificado, cujas penas somadas podem ultrapassar 50 anos de reclusão. Até o momento, a defesa dos executivos e o Grupo Fictor não emitiram pronunciamentos oficiais sobre as medidas cumpridas nesta manhã.


