Após atravessar a barreira nas escadas, Mendonça disse que atravessou a gaiola (o acesso para o andar com grades de segurança), e pegou o corredor de celas à esquerda, onde teria avistado clarões e vultos de detentos. Lá teria escutado estampidos e sentido o impacto de projéteis no seu escudo balístico, que segurava com a mão esquerda. Na mão da direita, estaria a sua submetralhadora Beretta, com qual revidou com três disparos.
Os promotores tentaram contradizer Mendonça com seu depoimento na Justiça Militar e na CPI da Assembleia, onde ele não teria mencionado que havia dado uma volta em todos os corredores antes de sair da prisão.
O coronel terminou o interrogatório emocionado e chegou a interromper a fala duas vezes diante
do júri ao comentar sua carreira na PM. Sua mulher e dois filhos estavam na plateia. Ele disse que "espera ter cumprido a função de policial de elite" e ficou com a voz embargada ao falar do pai e de que os dois filhos seguiam a mesma carreira.
Separado
O único réu que será julgado em um júri só para si, o coronel Luiz Nakaharada, foi lembrado pela promotoria. "É um dos meus grandes ídolos", disse Mendonça. O colega será julgado em separado pois é acusado individualmente de 5 das 78 mortes no pavimento que ficou conhecido pela ação mais sangrenta, com 70% das 111 mortes registradas.
Após um intervalo de meia hora, o major Marcelo Gonzáles foi chamado a falar. Ele contou que a direção do presídio foi enfática quanto à necessidade de uso da força para debelar o motim. O julgamento está previsto para acabar nesta sexta-feira, 01.



