O secretário classificou de "conduta abominável" o tratamento dado aos recrutas. "Não compactuamos com este tipo de ação. Infelizmente, perdemos um policial militar. A Policia Militar já formou aqui mais de 7.100 policiais e, graças a Deus, não tivemos problema nenhum, mas dessa vez, sem dúvida nenhuma, houve por parte de quem instruiu esta ação, minimamente, um excesso", afirmou o secretário, em cerimônia de formatura no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças. Beltrame informou que foram abertos dois inquéritos policiais militares para que os instrutores sejam investigados. "Essas pessoas vão ter que responder por esse homicídio."
A turma de Paulo Aparecido Santos Lima, do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praça da PM (CFAP), foi obrigada a fazer exercícios sob sol forte, num dia em que a sensação térmica era de 50 graus. Outros 33 recrutas sentiram-se mal e 16 tiveram queimaduras. Nas redes sociais, os praças denunciaram que foram obrigados a ficar sentados no asfalto, com as mãos apoiadas no chão. Alguns receberam banhos gelados e sofreram choque térmico. Lima ficou em estado mais grave e foi internado no Hospital Central da Polícia Militar. Na segunda-feira, os médicos detectaram morte cerebral do recruta. O coração parou de bater às 6 horas de hoje.
Em nota, a assessoria da Polícia Militar informou que a corporação está "consternada" com a morte do aluno. "É importante ressaltar que esse fato lamentável não é uma rotina na instituição e todas as hipóteses levantadas como causas do falecimento estão sendo investigadas através de um Inquérito Policial Militar (IPM). Quatro oficiais responsáveis pela instrução foram substituídos e, se for constatado algum excesso, eles serão responsabilizados", informou o texto, distribuído à imprensa.

