Militante da Frente Internacionalista dos Sem Teto (Fist), Baiano contou no interrogatório que já morou na Noruega, no Canadá e na África do Sul. Ele foi casado com uma norueguesa e teve um filho com ela. De acordo com o advogado André de Paula, integrante da Fist, as viagens foram pagas pela ex-mulher. "Ele (Baiano) nunca foi ligado a nenhum partido. Pregamos o voto nulo."
No Rio, o militante morava em uma das ocupações promovidas pela Fist. Aos investigadores, ele disse viver das doações que a entidade recebe de simpatizantes. Sobre o fato de ter sido detido sete vezes desde junho, o manifestante alegou sofrer "perseguição de policiais infiltrados".
Após a última prisão, em 15 de outubro, suspeito de ter ateado fogo a uma viatura policial, ele foi denunciado sob acusação de formação de quadrilha. Baiano nega a acusação. André de Paula o classifica como preso político e afirma que ele está isolado em uma solitária, sem direito a visitas e banho de sol. "Como confundi-lo com black bloc se nunca andou mascarado? É bode expiatório. Onde está a quadrilha da qual dizem fazer parte? Será que a quadrilha a que se referem é a Fist, que luta para que as pessoas tenham o direito de ter uma moradia?"
A Polcia Civil investiga casos de suposto "financiamento político de ativistas". De acordo com reportagem do jornal "O Globo" publicada no domingo,10, pessoas ligadas ao PR, partido do ex-governador Anthony Garotinho, teriam levado militantes pagos para manifestações contra Cabral no Rio. Um dos suspeitos trabalha no gabinete do deputado estadual e vice-presidente do PR, Geraldo Pudim.
A Polícia Civil informou apenas que as investigações estão em andamento, sob sigilo, e que as pessoas citadas "estão sendo intimadas a prestar depoimento". Pudim reagiu afirmando que Cabral está usando uma "polícia política" para atacá-lo. Sem citar nomes, acusou dois deputados da base de sustentação do governador na Assembleia Legislativa de terem contratado um militante para "se infiltrar no PR e incitar o partido a participar de manifestações e fazer outros tipos de atividade que poderiam resultar em crime, o que não ocorreu".
Além do suposto recrutamento de pessoas de outros Estados, a polícia apura a informação de que traficantes de drogas e milicianos teriam se infiltrado em manifestações de rua. "Há esse projeto de parar o Rio. Vai ter estudante viciado, então o que nós fazemos? Vai ter nosso povo para se enturmar junto com os playboy viciado dentro da passeata", disse o traficante Rodrigo Prudêncio Barbosa, preso em Bangu 9, em conversa com investigadores. Milicianos também são investigados sob suspeita de financiar o transporte de grupos para promover depredações. Os inquéritos estão sob sigilo.


