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Assessor de Temer preso pela Polícia Federal é exonerado

BRASÍLIA - Tadeu Filippelli, assessor especial do presidente Michel Temer preso nesta terça-feira, foi exonerado. Também foram presos temporariamente os ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT). A operação da Polícia Federal é baseada em delação da Andrade Gutierrez sobre suposto esquema de corrupção nas obras do estádio Mané Garrincha para a Copa.

A exoneração já foi assinada por Michel Temer e está na Casa Civil. A demissão de Filippelli deve ser publicada no Diário Oficial a partir desta quarta-feira.

Filippelli, correligionário de Temer é um dos assessores mais próximos do presidente, foi vice-governador do DF. Segundo um funcionário do Gabinete Pessoal da Presidência, onde Filippelli exercia cargo comissionado, ele costumava ir ao Palácio do Planalto todos os dias e trabalhou normalmente nesta segunda-feira. O salário bruto do assessor preso pela Polícia Federal é de R$ 12.445,57, segundo o Portal da Transparência.

A operação é baseada em delação premiada da Andrade Gutierrez sobre um esquema de corrupção nas obras do estádio Mané Garrincha. De acordo com as investigações, o superfaturamento na construção chega a quase R$ 900 milhões — com custo previsto de R$ 600 milhões, o estádio saiu a R$ 1,575 bilhão ao fim de 2014. Trata-se da arena mais cara de toda a competição. O ex-senador Arruda governou o DF de 2007 a 2010 e foi sucedido por Agnelo, que já foi ministro dos Esportes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na semana passada, o ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures, em imagens reveladas pelo GLOBO, foi flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil de Ricardo Saud, diretor da JBS. No começo de março, ele saiu do Planalto e foi exercer o cargo de deputado federal, já que é suplente do atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio. Outro funcionário que despachava no mesmo andar do presidente da República, José Yunes, saiu do governo no ano passado depois de ser citado em delação da Odebrecht como beneficiário de dinheiro da construtora.

Em depoimento à Procuradoria-Geral da República, Yunes acusou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, de tê-lo usado como uma "mula", na campanha de 2014, para Lúcio Funaro repassar um "documento". Yunes diz que não viu o que havia no envelope entregue, e que não se lembra de quem buscou o envelope entregue por Funaro. Além disso, Yunes relata ter ouvido de Funaro que havia uma estratégia para eleger uma bancada de deputados fiel a Eduardo Cunha, a fim de que ele fosse eleito presidente da Câmara.

Padilha e Moreira Franco, dois dos três ministros palacianos, respondem a inquérito no Supremo Tribunal Federal com base em delações da Odebrecht. Temer também foi citado em dois inquéritos, mas não pode ser investigado por atos anteriores ao mandato, como ressaltou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Portanto, tem uma "imunidade temporária". Já em relação à delação da JBS, que envolveu a gravação de conversa com o presidente ainda neste ano, mostrada pelo GLOBO, Temer responde a inquérito no Supremo.

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