Cinco partidos chegaram ànos últimos 50 anos. Três pelo voto direto — o extinto PRN de Fernando Collor, o PSDB e o PT —, e dois pela via indireta. São eles: a Arena, partido dos generais do regime militar, e o , que emplacou os vices José Sarney, Itamar Franco e Michel Temer. Nas duas ocasiões em que o PMDB tentou vencer uma eleição direta, as urnas lhe entregaram menos de 5% dos votos — em 1989, com Ulysses Guimarães, e em 1994, com Orestes Quércia. Na última quinta-feira, a convenção nacional do MDB decidiu confrontar essa escrita e lançou para presidente. Para chegar ao segundo turno, o ex-ministro da Fazenda precisará multiplicar no mínimo por 15 o único ponto percentual que tem nas pesquisas de opinião.
Partidos surgem por motivos variados. Uma causa, uma religião, uma ideologia, um líder carismático, até mesmo um interesse menor ou inconfessável, lamentavelmente. O PMDB nasceu em 1980 da costela do MDB, movimento amplo de oposição ao regime militar, que defendia a democracia. Cessada a causa, restou um grupamento de lideranças regionais cujo propósito é ficar no governo. Com exceção do breve governo Collor, onde não se espalhou, ocupou ministérios e nomeou desbragadamente em todos os demais. Valeu-se, para isso, de sua incrível força parlamentar. Em 1982, primeira eleição que disputou, elegeu 200 deputados federais. Em 1986, na esteira do sucesso temporário do Plano Cruzado, foram 260 deputados. De lá para cá, diminuiu significativamente de tamanho, mas manteve a capacidade de fazer nomeações.
No início do governo Temer, a primeira ideia era buscar a reeleição, mas as sucessivas denúncias inviabilizaram o projeto. Restou chamar o Meirelles, para quem o MDB está construindo a imagem de resolvedor de problemas. Dono de uma carreira bem sucedida no mercado financeiro nacional, na década de 90 chegou a presidir um banco nos Estados Unidos. Integrava um grupo restrito de executivos brasileiros bem colocados lá fora, no qual se destacavam Alain Belda, ex-presidente da Alcoa, sexta maior produtora global de alumínio, e Carlos Ghosn, atual presidente do grupo Renault.
No Ministério da Fazenda, Meirelles trabalhou pela aprovação de um pacote de medidas para retomar o crescimento, com o qual esperava reeditar o sucesso político de FH. Os indicadores de emprego e o PIB do país não subiram como o desejado. Já o PIB do MDB subiu após sua entrada na campanha. O partido tem direito a R$ 215 milhões do fundo eleitoral. Se precisasse tirar desse dinheiro os custos da campanha presidencial, como farão os demais partidos, o MDB teria que economizar nas demais candidaturas. Como Meirelles financiará os próprios gastos, que podem chegar a R$ 70 milhões, sua chegada já deixou o partido mais rico.

