A arqueóloga Tânia Andrade Lima, de 81 anos, referência na preservação do patrimônio histórico e premiada pela descoberta do Cais do Valongo, foi baleada na tarde de quinta-feira, 15, durante um assalto no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro. Tânia é professora aposentada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O crime ocorreu na Rua General Venâncio Flores, logo após a vítima sair de uma agência bancária. O criminoso abordou a pesquisadora, a agrediu e depois atirou contra ela antes de roubar sua bolsa.
Tânia foi atingida por três tiros. Dois projéteis acertaram de raspão a mão e o braço, enquanto o terceiro atingiu a região da nuca. Ela foi socorrida por agentes da Operação Segurança Presente e encaminhada ao Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, os ferimentos no pescoço e no ombro não apresentaram gravidade, mas a lesão na mão exigiu maior atenção médica. A arqueóloga foi transferida para um hospital da rede privada.
O criminoso conseguiu escapar a pé e fugiu na garupa de uma motocicleta pilotada por um comparsa. A dupla seguiu em direção ao Túnel Rebouças. Policiais militares montaram um cerco e interceptaram os suspeitos já no interior do túnel, no sentido Zona Norte. Eles abandonaram uma motocicleta roubada e dois aparelhos celulares, conseguindo fugir a pé.
Os materiais apreendidos foram encaminhados à 6ª DP (Cidade Nova). As buscas continuam sob a coordenação do 23º BPM (Leblon) e da 14ª DP (Leblon), delegacia responsável pelas investigações.
O Museu Nacional/UFRJ manifestou solidariedade à professora aposentada.
"Lamentamos ainda que esse episódio terrível tenha ocorrido justamente no Dia dos Professores, dedicado à valorização desses profissionais tão especiais e imprescindíveis em nossa sociedade, como Tânia Andrade Lima. Ocorrências como esta nos levam a refletir sobre o agravamento crescente do cenário de violência em nossa cidade. Manifestamos nossa solidariedade aos familiares, amigos e colegas da professora, a quem desejamos pronta e plena recuperação", diz a nota.
Quem é Tânia Andrade Lima?
Tânia é uma arqueóloga de 81 anos de idade com uma trajetória de destaque e reconhecimento internacional no campo da preservação do patrimônio histórico brasileiro. Em 2011, participou da descoberta do Cais do Valongo, localizado na zona portuária do Rio de Janeiro. O local funcionou como um dos principais pontos de desembarque de africanos escravizados nas Américas, e as escavações revelaram artefatos e vestígios de cultos de regiões como Congo, Angola e Moçambique.
Em 2023, Tânia recebeu, na Itália, o Hypatia Award. O prêmio é concedido pela Confederação dos Centros Internacionais para a Conservação do Patrimônio Arquitetônico (CICOP Net) em reconhecimento a personalidades que se destacam na salvaguarda da memória cultural.
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