BRASÍLIA. Diante da repercussão negativa ao relatório que apresentou, o deputado (PMDB-MS), relator da CPI da JBS, desistiu de propor o indiciamento do ex-procurador-geral e do ex-chefe de gabinete dele . O deputado disse que foi mudou de ideia depois de ouvir ponderações do deputado Fernando Francischini (SD-PR) e as declarações não arrogantes da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, sobre o relatório dele.
— Transformo o indiciamento do senhor Pelella e senhor Janot em pedido de investigação ao Ministério Público Federal — disse Marun na abertura da sessão da CPI, duas horas depois do horário previsto para começar a reunião.
Delegado da Polícia Federal, Franscischini teria explicado ao relator que para imputar crime a uma pessoa, qualquer que seja ela, são necessários elementos mínimos sobre as faltas cometidas e os indicativos de autoria. Na segunda-feira, numa entrevista ao GLOBO Francischini disse que não existiam crimes, muito menos provas contra Janot e Pelella. Para ele, a tentativa de indiciamento dos investigadores da Lava-Jato era uma "maluquice" de Marun. O deputado toma posse amanhã com o ministro da Articulação Institucional.
— Eu citei diversos fatos, alegações, nenhuma foi contestada. Todavia eu refleti sobre essas questões : materialidade e indícios de autoria. Fiz análise comportamental e, mantendo o indiciamento, onde eu posso até reconhecer a materialidade, permanece dúvida eu talvez estivesse cometendo o mesmo erro do senhor Janot e senhor Pelella — disse Marun ao tentar explicar o recuo.
Ele alega também que a reação da procuradora-geral Raquel Dodge contribuiu para a retirada da proposta de indiciamento. Numa entrevista ontem, Dodge disse que só iria se manifestar sobre o assunto depois de receber o relatório da comissão.



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