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Apagão nacional foi causado por dados errados de empresas, diz ONS

Apagão nacional foi causado por dados errados de empresas, diz ONS
Apagão nacional foi causado por dados errados de empresas, diz ONS

O primeiro relatório sobre as investigações do apagão ocorrido em 15 de agosto destaca que os geradores não forneceram informações precisas sobre o desempenho de seus equipamentos ao Operador Nacional do Sistema (ONS). Essa falta de precisão teria comprometido o planejamento e a operação do sistema, que são diariamente baseados nos dados enviados pelas empresas. No entanto, o ONS não identificou as empresas ou fontes específicas - hidrelétricas, termelétricas, eólicas ou solares - que forneceram dados discrepantes, e ressaltou que, devido à complexidade do evento, as análises estão em andamento.

Desde o apagão, medidas foram implementadas para alterar a operação, dando maior peso às hidrelétricas para conferir maior estabilidade ao sistema. Especialistas do setor elétrico sublinham que os dados são fundamentais para o correto funcionamento do setor. O planejamento e a operação cotidiana se baseiam nas informações fornecidas por todos os agentes de geração, transmissão e distribuição.

A precisão dos dados é crucial, uma vez que dados incorretos foram uma das causas do histórico apagão de 2001, que resultou em racionamento de energia. A estimativa de energia assegurada naquele período estava superestimada, criando uma falsa sensação de que os reservatórios poderiam suportar uma seca, o que se mostrou incorreto.

O relatório do ONS sobre aquele evento, conhecido como "relatório Kelman", identificou problemas semelhantes de dados incorretos como um dos fatores do apagão.

A análise detalhada do erro de informação ocorrido no recente apagão é necessária. Muitos geradores inicialmente fornecem apenas informações do fabricante ao entrarem em operação, deixando a validação do desempenho real para um momento posterior.

O ONS compartilhou as informações após uma reunião com representantes do setor para iniciar a elaboração do Relatório de Análise de Perturbação (RAP). Mais de 1.000 profissionais participaram do evento online, e uma nova reunião está agendada para 1º de setembro.

Esta semana, o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, participará de duas comissões no Congresso para discutir o apagão, exploração de petróleo e mineração.

Questionada, a Eletrobras afirmou que "as empresas do grupo Eletrobras não alteraram as informações e os dados dos seus equipamentos antes e depois do distúrbio". A Absolar, representante do setor fotovoltaico, aguarda o RAP para comentar sobre o apagão, ressaltando que tanto as empresas quanto os reguladores precisam manter os dados atualizados.

A Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget) afirmou que, no dia do apagão, não havia usinas termelétricas próximas à linha de transmissão em questão sendo despachadas pelo ONS. A ABEeólica, que representa geradores eólicos, não fez comentários sobre questões específicas de empresas.

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