Segundo o comunicado da ANS, a transferência dos planos individuais para a APS foi aprovada no fim do ano passado porque a Amil garantiu que faria os aportes necessários para manter o equilíbrio econômico-financeiro da APS. No entanto, a autarquia afirmou que, após análise dos documentos, "a Amil já tinha definido a venda das quotas da APS, o que faria com que a Amil e APS deixassem de fazer parte do mesmo grupo econômico - esvaziando, assim, a garantia oferecida pela Amil em favor da APS."
As empresas envolvidas terão prazo de dez dias para apresentar manifestações à ANS, data em que a autarquia tomará a sua decisão final a respeito da transferência de carteira.
Entenda o caso
Após meses de negociação e com grande dificuldade de encontrar interessados no negócio, apesar de se dispor a fazer um aporte bilionário para isso, a Amil decidiu repassar a deficitária carteira a um grupo recém-formado por três sócios: a Fiord, que se autodenomina uma empresa de investimentos, com fatia de 45%; o grupo Seferin & Coelho, de gestão de hospitais, com 45%; e o executivo Henning von Koss, ex-Hapvida, Amil e Medial Saúde, com os 5% restantes.
Antes disso, a Amil já havia feito aporte de R$ 2,3 bilhões na APS para que o negócio parasse de pé. Porém, o dinheiro só seria acessado pelos compradores após o aval da ANS.
Em fevereiro, o grupo de investidores havia afirmado que o negócio tinha viabilidade financeira e condições de se sustentar no longo prazo. Na época, em nota, a empresa garantiu que a transferência não traria prejuízos aos beneficiários.
Procurada nesta segunda-feira, a Amil afirmou que irá se manifestar "tão logo seja comunicada oficialmente pela ANS e tenha acesso à avaliação realizada pelo órgão". A Fiord não respondeu até o momento.

