SÃO BERNARDO DO CAMPO - Berço político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cidade de São Bernardo do Campo pareceu ter ignorado a condenação do ex-presidente Lula. Não fosse a vigília de um pequeno grupo em frente ao prédio onde mora o petista, a rotina na cidade manteve o ritmo normal na quarta-feira, após a condenação A calmaria em São Bernardo continua na manhã desta quinta-feira.
Dono do restaurante frequentado por Lula em São Bernardo, Gijo Juno Rodrigues Silva passou pelo local para deixar um regalo. Ao invés de presentear o ex-presidente com a chuleta, tradicional prato de seu restaurante, Gijo levou uma garrafa de água benta para garantir proteção ao amigo.
— Com a morte da dona Marisa ele está magoado. Mas na vida política parece que ele está até melhor.
Moradores do prédio não quiseram comentar a movimentação em frente ao edifício. Um deles, que não quis se identificar para evitar “mal estar” na vizinhança, criticou o petista e afirmou que a decisão não era nenhuma surpresa.
— Eu sou cidadão e sei o que ele fez. Como bom estelionatário ele é muito simpático. Sempre cumprimenta quando nos encontramos no elevador. Não é surpresa nenhuma. Ninguém fala sobre isso aqui, mas veladamente todos concordam que ele é ladrão.
A região central da cidade não dava mostras de manifestações contrárias ou favoráveis a Lula, sem buzinaços ou bandeiras de partidos. A sede do Sindicato dos Metalúrgicos permaneceu vazia. Os sindicalistas se manifestaram por meio de uma nota, repudiando a decisão de Moro, mas decidiram concentrar esforços no protesto que ocorreu na Avenida Paulista, longe do epicentro onde Lula despontou como líder político.

