BRASÍLIA — O advogado José Yunes — que chegou a ficar preso por dois dias e é amigo e ex-assessor do presidente Michel Temer— pediu ao ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), "acesso ilimitado aos autos de todas as ações cautelares relacionadas" com o inquérito aberto para investigar eventuais irregularidades no decreto dos portos. No inquérito, o próprio Temer é investigado por supostamente ter beneficiado a empresa Rodrimar, que atua no porto de Santos. Barroso é o relator do processo.
O pedido é breve, tem apenas dois parágrafos e não traz muitos detalhes. O objetivo é justamente saber a extensão de outros eventuais processos que digam respeito à investigação.
Para justificar o pedido, os advogados José Luis Oliveira Lima e Rodrigo Dall'Acqua citam a súmula vinculante número 14, do próprio STF, que diz: "É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa."
A defesa de Yunes faz apenas uma ressalva: "Exclui-se deste pedido a AC 4381, cuja solicitação de acesso foi apresentada nos respectivos autos, em razão de já se conhecer o número interno sob o qual está registrada." A ação cautelar (AC) número 4381 foi justamente a que levou à prisão de Yunes, de João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima, também amigo de Temer, e de alguns empresários. Todos já estão soltos.

