O ex-ministro Ernesto Araújo, em depoimento na CPI da Covid desta terça-feira (18), disse que houve tratativas com os Estados Unidos de um avião para fazer o transporte de oxigênio, durante a crise do insumo no Amazonas, mas que não recebeu resposta do governador.
O ex-chanceler foi questionado pelo senador Eduardo Braga da atuação de Araújo durante a crise de oxigênio no Amazonas, que resultou em números grandes de óbitos.
"O Itamaraty não age de maneira autônoma nas questões de saúde. Em janeiro, no dia 14 ou 15, fui procurado pelo governo do estado do Amazonas para tentar viabilizar a vinda de um avião com capacidade para transporte de oxigênio dentro do território nacional. Chegou a mim, imediatamente pedi que informassem ao Ministério da Saúde. Saí logo em atuação para localizar onde haveria esse avião. Soubemos que teria o Chile e os Estados Unidos teriam aviões com capacidade para transportar grandes quantidades de oxigênio", iniciou Ernesto.
E continuou: "O que me chegou, no caso do governador do Amazonas, foi de que haveria oxigênio disponível em outros pontos do território nacional e se tratava, simplesmente, de ter o avião porque foi me dito que não havia aviões disponíveis naquele momento no Brasil para o transporte"
"O Chile não tinha o avião, os Estados Unidos tinha e, mais ou menos 24 horas, o avião americano já estava completamente com tudo pronto para decolar. Aí eu recebi ligações do ministro da Defesa, dizendo que havia sim aviões disponíveis no Brasil, e do ministro da Saúde informando que só interessaria ao país se o avião já vinhesse carregado de oxigênio"
"Imediatamente contactamos, com toda urgência, o governo do estado do Amazonas para que nos desse as especificações do oxigênio, que tipo de cilindro, especificações mínimas sobre as quais não dispunhamos e que os Estados Unidos precisavam para proceder a isso (...) Passaram 2, 3 dias e não recebemos essas especificações", afirmou o ex-ministro.


