BRASÍLIA — No dia seguinte às — apresentado por membros da base aliada durante sessão plenária aberta para votação da medida provisória (MP) que permite ao Banco Central (BC) fechar acordos de leniência com instituições financeiras —, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, almoçou com o presidente da Câmara. Depois do encontro, a avaliação de interlocutores do presidente é que a situação está controlada. Nos bastidores, membros do governo ressaltaram que mesmo com o "temperamento difícil", Maia continua exercendo papel fundamental para a manutenção da base aliada.
Durante a manhã desta quarta-feira, o presidente voltou a receber parlamentares no Planalto. O vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP), foi um dos que compareceu ao gabinete presidencial. Em conversa com O GLOBO, o parlamentar afirmou que Temer não vai retrucar as falas de Maia.
Na tarde de ontem, membros da base agiram para impedir que a sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, que fazia a leitura do parecer apresentado por Bonifácio Andrada (PSDB-MG) sobre a segunda denúncia contra Temer, por obstrução da Justiça e organização criminosa, fosse interrompida pela ordem do dia. Entretanto, Maia disse, exaltado, que a manobra foi um "desrespeito" ao presidente do BC, Ilan Goldfajn, que interviu pessoalmente na negociação da proposta.
Beto Mansur também ressaltou que "nada como um feriado e um final de semana para deixar os ânimos mais calmos". O vice-líder explicou que Temer "se preserva muito" e que, por isso, não vai entrar no embate.
— A gente sabe que o tempo é importante. Às vezes, no calor do debate, a gente tem um tipo de pensamento. Depois repensa e as coisas melhoram — minimizou o vice-líder do governo na Câmara.
Após a tentativa frustrada de votar a MP, que vence no próximo dia 19, Maia declarou que a partir de agora, se uma medida provisória enviada à Casa não tiver relevância e urgência, será devolvida ao Executivo. Isso porque, ao encaminhar MPs ao Congresso o governo tranca a pauta de votações do Legislativo e, desta forma, atrasa o cronograma de deliberações.
Os desentendimentos entre o presidente da Câmara e da República tiveram início quando os caciques do PMDB - senador Romero Jucá (RR) e ministros Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil) - se lançaram em batalha contra o DEM para filiar os parlamentares dissidentes do PSB. Em setembro, Maia chegou a afirmar que o PMDB deu "uma facada nas costas" do DEM. O atrito entre as legendas estremeceu o antes harmonioso convívio entre os chefes dos Poderes.
Até a votação do relatório — apresentado por Bonifácio Andrada (PSDB-MG) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara na última terça-feira — no plenário, Temer vai continuar realizando audiências com senadores e deputados. Desde o início da tramitação da primeira denúncia, protocolada em junho, o presidente adotou essa forma de articulação junto ao Congresso para evitar a abertura de investigação contra ele pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
No colegiado, o texto precisa da maioria simples dos votos para ser aprovado - dos 66 titulares, ao menos 34 devem votar a favor do texto apresentado por Andrada. No balanço de votos feito pelo vice-líder, a margem de segurança do governo é de 40 votos favoráveis ao arquivamento da denúncia.
— Ele está muito tranquilo. Mas, obviamente, não baixa a guarda_ disse Beto Mansur. _Estamos acompanhando tudo o que está acontecendo, principalmente em relação ao PSDB. Esperamos que algumas figuras do partido possam rever o voto ao avaliar o relatório do Bonifácio para votar com a gente (base aliada ao governo) — acrescentou o deputado.



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