Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) adotaram uma narrativa surpreendente após a confirmação de que ele danificou sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda: a tese de que o ato foi motivado por um "surto" emocional, no qual o ex-presidente alegadamente acreditava estar "ouvindo vozes vindas do aparelho".
Essa versão ganhou destaque após o próprio Bolsonaro admitir ter "metido ferro" no dispositivo, desmentindo as negativas iniciais de aliados.
De acordo com o Estadão, a alegação de que Bolsonaro estava em um estado mental alterado e que ouviu "vozes" provenientes da tornozeleira eletrônica circula entre pessoas próximas à família e aliados políticos, como forma de explicar o episódio.
O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, chegou a declarar que o acontecimento é um sinal de que o estado emocional do ex-presidente está "totalmente alterado".
Um relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal confirmou as avarias, indicando que o equipamento apresentava "queimaduras em toda sua circunferência".
Apesar de admitirem o dano, aliados do ex-presidente buscam veementemente descartar a possibilidade de que a ação fosse uma tentativa de fuga planejada. Eles argumentam que, se essa fosse a intenção, o ato de romper o equipamento teria ocorrido momentos antes da suposta evasão, e não 24 horas antes do evento.
O deputado estadual Lucas Bove (PL), por exemplo, questionou a lógica da suposta fuga em suas redes sociais: "Se você estivesse com uma tornozeleira eletrônica e quisesse fugir em meio a uma vigília, mexeria no computador de monitoramento do equipamento 24h antes do evento ou cortaria rapidamente o aro segundos antes da fuga, com tudo pronto para zarpar?".


