SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, introduziu a sua gestão na era das doações empresariais, marca do prefeito João Doria, com quem disputa a vaga de presidenciável do PSDB. O governo anunciou nesta segunda-feira que um grupo de empresários vai financiar a restauração do Museu do Ipiranga. O palácio fica às margens do córrego do Ipiranga, onde a Independência do Brasil foi proclamada, e está fechado há quatro anos.
O anúncio foi feito após Alckmin se reunir com cerca de 60 empresários para o lançamento do programa "Aliança Solidária". O grupo é liderado pela empresária Luiza Trajano, dona da rede Magazine Luiza.
A proposta é que a Universidade de São Paulo (USP), responsável pelo museu, defina o projeto de restauro e o Grupo Mulheres do Brasil, encabelado por Luiza, faça a captação de recursos junto à iniciativa privada. O custo estimado da restauração é cerca de R$ 100 milhões. A meta é reabrir o museu ao público em 2022, durante as comemorações dos 200 anos da Independência.
A captação de doações de empresários sem contrapartida para o poder público é uma das vitrines da gestão João Doria. Eleito com o discurso "sou gestor, não sou político", Doria tem usado essas contribuições empresariais como vitrine do que chama "jeito novo de governar". Na prefeitura, Doria já recebeu veículos, remédios, computadores e até ovos como doação ao município.
A medida é considerada polêmica porque há a suspeita de que algumas doações não sejam totalmente desinteressadas. A prefeitura nega que os empresários que ajudaram o município receberam contrapartidas da administração.

