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Ala governista do PSDB quer que Tasso tome iniciativa de entregar o cargo

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BRASÍLIA - A ala governista do PSDB avalia que o presidente interino da legenda, o senador Tasso Jereissatti (CE) está fazendo movimentos para ser substituído pelo presidente licenciado, Aécio Neves (MG) e “sair como herói” do impasse criado pelo programa eleitoral apresentado na última quinta-feira. Os tucanos contrários a orientação de Tasso listaram sete decisões tomadas por ele, em três meses de interinidade, que estariam contrariando decisões coletivas e o programa foi “a gota d’água para a radicalização. Agora, temendo uma saída traumática que agrave ainda mais o racha, ao invés de Aécio reassumir e indicar um novo interino, apelam para que ele tome a iniciativa de entregar o cargo.

Na noite desta segunda-feira, deputados ligados ao governo e a Aécio se reúnem com alguns governadores para discutir uma saída para a substituição imediata de Tasso. Os governadores Marconi Perillo (Goiás) e Reinaldo Azambuja (Mato Grosso do Sul) devem participar, além de Aécio.

— Começa a haver uma clareza que Tasso está fazendo um desenho para ser retirado e sair como herói. Todo dia ameaça entregar o cargo como menino brigão, porque não entrega logo? Há sete episódios em que ele desacatou decisões coletivas ou acirrou posicionamento partidário. Ignorou posições coletivas como se sua vontade estivesse acima de tudo. Diz que o PSDB se acabou, como se acabou se em 2016 tivemos a maior vitória da nossa História? Ele diz que o partido tem que se reinventar, mas quem tem que tocar essa reconstrução tem que ser o próximo presidente a ser eleito em dezembro. Está todo mundo no limite do limite — desabafou um dos ministros tucanos ao GLOBO.

O deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) vai na mesma linha e apela para que Tasso “faça um gesto” e tome a iniciativa de entregar o cargo a outro vice-líder para levar o partido até a convenção de 09 de dezembro. Na convenção Pestana diz que o melhor candidato a suceder Aécio é o governador Marconi Perillo, de Goiás, porque ele dialoga com todas as correntes e tem experiência.

— Se Aécio reassumir e afastar Tasso, eu não digo que seja um gesto tão corajoso, mas parece suicídio — diz o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), um dos mais ligados a Tasso Jereissatti.

— O doutor Tasso está jogando lenha na fogueira. Seria melhor que ele fizesse esse gesto para contribuir com a unidade partidária . Que converse com outras lideranças importantes e construa essa alternativa. Nesses três meses em que ele está na interinidade o PSDB nunca enfrentou crise tão grande em 29 anos de existência. O ideal é que eles construam essa saída — pediu Pestana.

O grupo que vai se reunir hoje à noite deve divulgar uma nota pedindo para Tasso entregar o cargo. Mas todo o gestual dele vai no sentido de que o que for encaminhado a ele, ele irá repassar para Aécio, que foi quem o indicou para a interinidade. Assim, ao receber a nota, ele encaminha para Aécio, e Aécio não terá como fugir da decisão de afastá-lo ou não.

— Eu estou tranquilo, não pedi para entrar — tem dito Tasso aos interlocutores com quem conversou hoje, indicando que não pretende tomar a iniciativa de entregar o cargo para que Aécio indique outro interino, como quer a ala tucana governista.

Ao conversar com o secretário geral do PSDB, deputado Silvio Torres (SP), Tasso brincou:

— E aí, vão me derrubar hoje?

O deputado paulista acha que a radicalização dos dois grupos é preocupante, mas tirar Tasso agora sem um nome de consenso para substituí-lo, ampliaria o racha.

— Não temos outro nome que possa conduzir o partido até a próxima convenção. Uma coisa muito estranha e que preocupa é o grau de radicalização . O Tasso tem que continuar e conversar com o outro lado. Ele é meio durão, não se conforma com o que o pessoal faz pelas costas. Então acha que está fazendo o que tem que ser feito e vai em frente — diz Silvio Torres.

Os dois conversaram sobre a preparação da reunião prevista para a próxima quinta-feira com os 27 presidentes de diretórios estaduais para discutir a realização das convenções regionais e eleição nos estados. Mas a crise provocada pelo programa de propaganda também deve ser discutida.

— Temos que compartilhar essa crise. A discussão está muito restrita, temos que saber o que pensa a base do partido — disse Silvio Torres.

Um dos ministros tucanos lista sete decisões de Tasso, que segundo ele, contrariaram a maioria do partido: reunião Executiva ampliada, visita ao presidente da Câmara Rodrigo Maia com ataque a Temer e manutenção do ministro da Fazenda Henrique Meirelles, reunião com jantar no Palácio Bandeirantes , cancelamento de convocação de nova reunião da executiva , declaração “absolutamente desnecessária” e contrária a maioria da bancada na votação da denúncia contra Temer, em que afirmou que votaria a favor, o programa de TV e definição da data das convenções sem consulta aos vices, como prevista na Executiva .

— Num curto espaço de tempo iniciativas que tentam desestabilizar o governo — diz o ministro.

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