BRASÍLIA - O senador (PSDB-MG) tenta ganhar tempo no inquérito em que foi denunciado por corrupção passiva e obstrução de justiça. Seus advogados pediram que o ministro , relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), dê mais tempo para que possam apresentar sua defesa. O objetivo é que o prazo fique suspenso enquanto não forem anexadas aos autos todas as gravações feitas pelos executivos da . Só assim, dizem os advogados, será possível ter exata noção da legalidade das provas.
A defesa apontou as suspeitas que recaem sobre a delação da JBS. Uma gravação descoberta posteriormente mostrou a possibilidade de que os colaboradores Joesley Batista, dono da empresa, e Ricardo Saud, executivo do grupo, tenham omitido informações. Isso levou à suspensão do acordo e à prisão dos dois. Há também a suspeita de que o ex-procurador da República Marcello Miller, quando ainda estava no cargo, teria ajudado os delatores, orientando inclusive como deveriam ser feitas as gravações, numa espécie de jogo duplo. A defesa também mencionou notícias publicadas na imprensa.
"O conhecimento do inteiro teor dos elementos de prova referidos na reportagem e o acesso à íntegra da própria representação pela prisão de Marcello Miller são essenciais, tanto para que Vossa Excelência (Marco Aurélio) — juiz natural da causa — possa conhecer o real contexto em que se deram as delações e as conversas que são usadas como prova no presente feito, como para o exercício da ampla defesa do peticionário (Aécio), envolvido diretamente na arapuca de delatores que buscavam, a todo custo, produzir pseudo-provas para se livrarem de responsabilidade penal", escreveram os advogados.
Eles também disseram que em outro inquérito, no qual era investigado o presidente Michel Temer, foi anexado um laudo pericial atestando a existência de várias gravações apagadas por Joesley nos aparelhos utilizados por ele. Mas, até hoje, a defesa, não teve acesso ao material.
"Os delatores teriam apresentado à PGR 16 (dezesseis) novos arquivos de áudio, dentre eles os assim nominados 'Flávio x Aécio 28.03.17.WAV, Fred x Ricardo-SP 05.04.17.WAV, Fred 14032017.WAV, Irmã Neles.m4a'. Tais áudios têm íntima relação com os fatos aqui apurados, dado a expressa referência ao nome do Peticionário e de outros investigados no presente feito", escreveram os advogados.
A defesa diz que teve acesso a um desses áudios. Seria uma conversa entre Andrea Neves, irmã de Aécio, e Joesley, na qual "se discutiu exclusivamente a venda de um apartamento da família do Senador, negócio absolutamente lícito e transparente".
Em junho deste ano, o então procurador-geral da República Rodrigo Janot denunciou Aécio com base na delação da JBS. Uma das provas do inquérito é uma gravação feita por Joesley de um diálogo mantido com o senador. Aécio pede a ele R$ 2 milhões para pagar um advogado para defendê-lo na Operação Lava-Jato. Em uma ação controlada, com autorização do STF, a Polícia Federal filmou o diretor da JBS Ricardo Saud entregando R$ 500 mil a Frederico Pacheco, primo de Aécio, que depois repassou a quantia a Mendherson, ex-assessor do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).
Hoje, Aécio responde a nove inquéritos do STF. São dois com base na delação da JBS, cinco investigações abertas a partir de delações de executivos da Odebrecht, e outras duas instauradas a partir da delação do ex-senador Delcídio do Amaral.

