Os promotores do Ministério Público de São Paulo que atuam no combate aos crimes econômicos fizeram buscas, nesta quinta-feira, 27, em endereços de dois aliados do ex-fiscal Artur "King" Gomes da Silva Neto, apontado como o "cérebro" do maior esquema de corrupção já descoberto no Fisco paulista. São eles o advogado Lucas Nascimento da Costa, suspeito de repassar a outros investigados cartas de orientação de "King" para perpetuar o esquema, e o empresário Polion Gomes Reinaux Gomes, apontado como responsável por planejar a fuga do ex-fiscal para o exterior, com uma aeronave sem identificação e o uso de um hangar clandestino.
O Estadão procurou o advogado Lucas Nascimento e tenta contato com o empresário Polion Gomes. O espaço está aberto para manifestações.
Os investigadores chegaram à suposta atuação do advogado Lucas Nascimento no esquema a partir de mensagens encontradas no celular do companheiro de King, Francisco de Carvalho Neto. Segundo a investigação, por meio do aparelho, o advogado se comunicava com Artur e repassava cartas escritas pelo ex-fiscal a antigos colegas da Fazenda e a operadores da trama.
Nos manuscritos, segundo a Promotoria, Artur orientava outros investigados a não firmar acordos de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo e detalhava estratégias para manter ocultas criptomoedas avaliadas em mais de R$ 100 milhões, supostamente provenientes do esquema.
Artur havia sido colocado em liberdade em 29 de maio e permaneceu solto por 12 dias. De acordo com a investigação, nesse período, mesmo proibido de manter contato com outros investigados, ele passou a orientá-los sobre como agir diante do cerco da Promotoria. Artur foi recapturado em 9 de junho.
Para a Promotoria, a troca de mensagens entre "Dr. Lucas" e Artur "evidencia dolo, premeditação e capacidade concreta de articular, em liberdade, a obstrução da instrução e o aliciamento de corréus".
Plano de fuga
No caso do empresário Polion Gomes Reinaux Gomes, a investigação aponta que ele conheceu Artur no sistema prisional, onde os dois permaneceram custodiados simultaneamente por cerca de sete meses. Polion - condenado por desviar R$ 2,5 milhões destinados ao tratamento de uma menina de 12 anos com câncer em Cascavel, no oeste do Paraná - obteve liberdade condicional em 7 de maio.
Artur estava preso na Penitenciária II de Tremembé, no interior de São Paulo. Em 2 de junho, ele também foi solto, mas permaneceu em liberdade por apenas uma semana.
Segundo a Promotoria, Polion fez uma ligação de oito minutos e 31 segundos para Artur e, durante a conversa, enviou fotos e vídeos de instalações da aviação civil que mostravam aeronaves sem matrícula estacionadas em hangares clandestinos. Para os investigadores, o material integra as evidências de que o empresário ajudava a planejar a fuga do ex-fiscal para o exterior.
Artur foi preso em agosto de 2025, na Operação Ícaro, que revelou o esquema atribuído ao ex-fiscal. Segundo as investigações, empresários que pagavam propinas a fiscais se beneficiavam da antecipação irregular de créditos tributários inflados de ICMS - uma espécie de "fura-fila" do imposto. Artur havia pedido exoneração do cargo logo após ser alvo da operação.
Na segunda-feira, 24, a desembargadora Carla Rahal, da 11ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, negou liminar em habeas corpus apresentado pela defesa de Artur "King" e manteve a prisão preventiva decretada em julho. A magistrada entendeu que não havia "ilegalidade evidente" na decisão e destacou que o ex-fiscal teria descumprido a medida cautelar que o proibia de manter contato, direta ou indiretamente, com outros agentes fiscais.



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