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Advogada de facção acusada de roubo à transportadora é presa no Paraguai

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SÃO PAULO — Apontada como advogada da facção criminosa PCC, Marcela Antunes Fortuna foi presa pela Polícia Nacional do Paraguai em Ciudad del Este, nesta terça-feira. Foragida desde o ano passado, Marcela é acusada de envolvimento com o assalto à transportadora Prosegur, na última semana.

A advogada é alvo também de investigação pela Operação Ethos, que descobriu 39 advogados ligados à organização e integrantes do chamado setor “R” (de recursistas). Eles seriam responsáveis pela resolução de problemas jurídicos da facção no cotidiano. A operação foi coordenada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) no ano passado. Marcela foi apontada como encarregada de receber relatórios mensais de honorários e despesas referentes ao dia a dia do PCC. Com as investigações, as autoridades puderam identificar uma nova estrutura no quadro jurídico da organização, também conhecida por “Sintonia dos Gravatas”.

Segundo a denúncia feita pelo MPSP sobre a Operação Ethos, os advogados do setor “R” não são representantes dos líderes que se encontram presos, mas sim atuantes do cotidiano da facção. Os serviços prestados pelos advogados incluem assitência a familiares dos presos, auxílio funerário e contribuições financeiras. É de responsabilidade dos advogados “R” o pagamento de serviços médicos a presos integrantes da cúpula.

Marcela ocuparia o cargo R1, posto abaixo do Diretor Presidente responsável por chefiar o núcleo de advogados da "Sintonia dos Gravatas". Ela teria a função de vistoriar as ações dos outros advogados e dar um parecer ao Diretor Presidente. As investigações apontam que ela teria recebido planilhas com as novas diretrizes da estrutura hierárquica do PCC e estaria ciente de todas as operações realizadas pela célula.

Embora a participação do grupo no roubo à transportadora não seja confirmada, a prisão de Marcela Antunes Fortuna não foi a primeira relação encontrada entre a alta cúpula da facção e o assalto milionário pelas autoridades que cuidam do caso. Integrante de um dos postos mais altos na hierarquia do PCC, Dyego Santos Silva, também conhecido por Coringa, foi identificado como . Coringa e outros dois suspeitos trocaram tiros com policiais em Itaipulândia, às margens do Lago de Itaipu, próximo da fronteira entre Brasil e Paraguai.

O roubo da transportadora de valores é considerado um dos maiores já registrados no Paraguai. Na última semana, os ladrões explodiram a entrada da empresa e trocaram tiros com vigilantes. Um policial paraguaio foi morto durante a ação. A transportadora informou que o valor levado pelos criminosos foi de US$ 11,7 milhões. A Polícia Federal informou que já recuperou o equivalente a R$ 4,5 milhões em cédulas de real, dólar e guarani.

A empresa fica a quatro quilômetros da Ponte da Amizade, fronteira entre Brasil e Paraguai. Fortemente armados, os ladrões usaram dinamite para explodir parte do prédio da Prosegur, atingindo outras casas da região, e ao menos 15 veículos foram incendiados na ação.

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