Bastidores da Política - Vitória da impunidade no caso do assassinato do sargento Lucas?


Vitória da impunidade no caso do assassinato do sargento Lucas?

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

16/11/2021 18h53 — em Bastidores da Política

Pelo menos cinco câmeras 'observavam' o movimento do pistoleiro que transitava com sua moto as 18h20m do dia 1 de setembro pela  Avenida Ayrão e chegava as 18h23m levando  a morte para dentro da Mirza Café. As 18h24, os disparos contra o sargento Lucas Gonçalves. Depois ele sai tranquilamente, percorre o mesmo trecho e some na sombra da noite que encobria a cidade.

São as imagens que essas câmeras captaram e que a redação do Portal do Holanda mostrou  na tarde desta terça-feira, que precisavam ser resgatadas no tempo hábil e não foram. Elas estavam  às claras, em  prédios comerciais e casas na avenida Ayrão, nas proximidades do Mirza Café… Guardavam segredos da rua, luzes, sombras e talvez revelassem o caminho que o criminoso tomou.

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A  má noticia: os discos rígidos que armazenam  imagens geralmente as apagam automaticamente em 20 dias, ou menos, dependendo do seu tamanho. O tempo que a policia tinha para requisitá-las já passou.

O que  leva a um questionamento. O local da pericia criminal não se resume mais a uma sala, a um espaço de cinco metros. Em tempo de tecnologia, ele se espalha para além das paredes e dos objetos que o criminoso tocou. Imagens são tão importantes quanto  fios de cabelos, pele nas unhas das vítimas, cartuchos detonados pelo chão e o estrago feito em um corpo.

No caso do assassinato do sargento Lucas Gonçalves, supostamente a mando dos donos do supermercado Vitória, a identificação do criminoso poderia  estar nos detalhes que atravessaram  a porta, pularam em cima de uma moto e deslizaram pela avenida Ayrão,  deixando um rastro de memória em câmeras que não podiam guardar, por tanto  tempo, segredos que a Polícia preferiu ignorar.

A consequência dessa falha pode ser a impunidade, apesar de identificados e de paixões proibidas que poderiam, em tese, ter provocado o crime. Mas teses… não provas. E teses prosperam na terra da impunidade…

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.