Francisco Juarez de Oliveira era um vaqueiro, trazido do Rio Grande do Norte para ordenhar vaca e cuidar da criação de gado de uma fazenda da construtora Exata, no município de Manacapuru, interior do Amazonas. Juarez conta ao Portal do Holanda que estava feliz, pegando boi pelo chifre e domando os animais da fazenda que, segundo ele, já pertenceu ao atual prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, até que certo dia, ao ir ao banco tentar um empréstimo pessoal, descobriu que era empresário, dono de 50% da construtora. Mas como? Essa pergunta lhe tirou o sono durante várias semanas, até que procurou um dos dois sócios da empresa e perguntou o que significava aquilo tudo. O empresário, cujo nome Juarez pediu que não fosse “citado” e que acabou se tornando único dono de fato da construtora, lhe disse que levasse as coisas como se nada houvesse acontecido. Prometeu uma recompensa pelo silêncio: R$ 200 mil. Juarez conta que grandes somas em dinheiro foram sacadas, em seu nome, da conta da Exata nos anos 90 no extinto Banco do Estado do Amazonas. “Usaram documentos meus, mas falsos. Alguém usando meu nome, meu CPF, minha identidade fez os saques, diz ele.
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Quando a Exata faliu, Juarez descobriu que tinha uma dívida de mais de meio bilhão de cruzeiros com os bancos. Pior, era alvo de ações na justiça federal por sonegação fiscal e falsidade ideológica. Mais uma vez – disse ao Portal do Holanda - procurou o empresário e ouviu dele que assumisse a acusação.
- O máximo que você pode pegar é três meses de prisão e logo em seguida estará em liberdade”. Em troca do sacrifício, o empresário prometeu que lhe daria uma boa soma em dinheiro para viver tranquilamente. Juarez acreditou, o dinheiro não saiu e agora ele está disposto a falar.

Numa conversa, gravada durante a discussão com o empresário, cujo áudio foi entregue ao Portal do Holanda, ele ouviu uma frase que o deixou revoltado: “Assume isso porque o pau só quebra no rabo do mais fraco”.
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Juarez veio cuidar de gado e não admite terminar com um pau no rabo, para usar a expressão utilizada pelo empresário. Agora ele resolveu abrir o bico. O que disse ao Portal do Holanda – e que assumimos o compromisso de só divulgar na íntegra mediante sua autorização - é estarrecedor – mexe com muita gente graúda e acima de qualquer suspeita, além de levantar a ponta desse laranjal no qual se transformaram os negócios envolvendo empresas e o setor público no Amazonas nos últimos 20 anos.
Não morra
O principal cemitério de Manaus, o do Tarumã, está com a capacidade esgotada e uma lei já autoriza a retirada dos ossos, após quatro anos da data do sepultamento, para adultos, e dois anos para crianças de até dez anos de idade à época da morte. Os restos são depositados no ossário do cemitério para dar lugar a novos sepultamentos. Parece que com isso, em breve o prefeito Amazonino Mendes vai ter que se retratar, mais uma vez, com um sonoro ‘não morra’
Limpeza na Semed
O prefeito Amazonino Mendes voltou de Paris com toda força e vontade. Tanto que ontem usou sua caneta para demitir nada menos que dez professores, funcionários de nível superior da Secretaria Municipal de Educação (Semed). As demissões foram todas fundadas em relatório que lista infrações disciplinares ao Estatuto dos Servidores Públicos do Município. Vai ver que era o time que não comparecia com a regularidade necessária a seus locais de trabalho.
Quanto vale?
O vice presidente da Manaustur, João Thomé Mestrinho, publicou sua declaração de bens no Diário Oficial do Município desta terça-feira, 15: terreno à margem esquerda do rio Manacapuru com 322 hectares; participação de 98% do capital social da empresa Agro-Thira Ltda; Fiat modelo Strada Trehkile ano/mod. 2004/2005; Ford Ranger XLS ano/mod 2004/2005; caminhão Mercedes Benz mod. l.1620 – ano/mod.2004/2005; 20% como herdeiro de uma casa e terreno situada na rua Recife, nº 1.620-A, em Adrianópolis; quatro terrenos na margem direita do Paraná do Samauma, no Supiá, em Manacapuru totalizando 600 hectares. O único problema é que os bens não têm valor estimado.
Prefeitura enquadra Unipar
O sócio da Unipar Construções, Pauloney Tomaz Avelino, assinou termo de compensação com prefeitura de Manaus por infrações ao Plano Diretor Urbano e Ambiental de Manaus. Pelo documento a empresa dos Avelino vai ter que construir todas as obras de infra-estrutura, passeio, drenagem, iluminação pública e sinalização de trânsito, devendo o projeto de traçado viário receber prévia anuência deste Implurb/Manaustrans. A obrigação de fazer se origina do procedimento administrativo nº 2010/796/824/01020, que estabeleceu a necessidade de cumprimento de medida compensatória, mas o termo não informa onde serão realizadas nem quanto será compensado com as obras.
Rouxinol na Assembleia
O deputado Belarmino Lins (PMDB) estava ontem em dia de graça. Em aparte ao pronunciamento do deputado Marcelo Ramos (PSB), depois de elogiar o trabalho e a garra de Ramos, disse que o deputado do PSB era o ‘rouxinol da Assembleia Legislativa do Estado (ALE)’, tamanha sua forma de se expressar e os temas que leva ao parlamento. Tomara que time dos bichos que freqüentam a ALE fique só nesse passarinho...
ACA quer saber
A Associação Comercial do Amazonas (ACA) faz reunião na noite desta quarta-feira, às 19h, e o convidado especial é o representante da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). A ACA quer saber qual a situação jurídica do embargo das obras do Shopping Popular. No roadway, as obras estão paradas e o material que foi instalado vai se perder se não forem tomadas medidas a respeito. Pior é que os camelôs continuam a tomar ruas e calçadas no Centro da cidade.
Brasileiro não desiste
O vereador Waldemir José (PT) incorporou o mote de que brasileiro não desiste nunca: ontem estava alardeando ter conseguido 13 assinaturas, na Câmara Muncipal de Manaus (CMM) para instalar a CPI que vai investigar a Consladel e a Dataprom. Com essas assinaturas, diz ele que já pode protocolar a CPI, se vai dar em alguma coisa, só o futuro vai dizer.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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